Um retrato preocupante da segurança pública em Feijó, no interior do Acre, levou o Ministério Público do Acre (MPAC) a abrir um procedimento para acompanhar de perto a situação no município. Dados de inteligência, divulgados nesta segunda-feira (13), revelaram que a cidade concentra uma das maiores densidades de integrantes de facções criminosas do estado, em um cenário descrito como de “grave deterioração”, com avanço do crime organizado e fragilidade na presença do Estado.
De acordo com relatório técnico citado pelo Ministério Público, Feijó apresenta a segunda maior densidade de faccionados do Acre, com uma taxa de 25,66 integrantes por mil habitantes, um número que supera com folga a média estadual, de 12,92.
O documento aponta ainda a “consolidação hegemônica do Comando Vermelho (CV)” no município, indicando que a facção exerce forte influência territorial na região.
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Localização estratégica favorece o tráfico
Além da presença das facções, a posição geográfica de Feijó agrava o cenário. O município está situado em um ponto estratégico da BR-364, funcionando como um corredor logístico para o tráfico de drogas e armas, especialmente com origem no Peru.
Essa característica transforma a cidade em peça-chave dentro da dinâmica do crime organizado no estado. Diante do cenário, o Ministério Público instaurou um procedimento administrativo para acompanhar e fiscalizar a instalação de um posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Feijó.
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A medida já vinha sendo discutida desde reuniões anteriores entre o MP e a PRF, que também preveem a intensificação de operações no trecho entre Feijó e Tarauacá. O órgão destacou a necessidade de garantir a presença permanente da PRF como forma de conter o avanço da criminalidade e reforçar a segurança na região.
Como parte das medidas, o Ministério Público determinou o envio de informações detalhadas por parte da PRF, incluindo cronogramas, projetos e planejamento estratégico para a instalação da unidade.
Também foi estabelecido um prazo de 60 dias para respostas sobre medidas emergenciais, além de acompanhamento contínuo do processo. O procedimento terá duração inicial de um ano, podendo ser prorrogado, e prevê a adoção de medidas judiciais e extrajudiciais caso necessário.
