A paralisação total do transporte coletivo em Rio Branco, registrada na última quarta-feira (22), acendeu um alerta na gestão municipal e levou a Prefeitura a decretar situação de emergência no sistema por 60 dias. Diante do cenário, o prefeito Alysson Bestene afirmou ao ContilNet que a administração já trabalha em alternativas, incluindo a possibilidade de um edital emergencial para atrair novas empresas.
A crise foi provocada pela suspensão de 100% da frota de ônibus, após motoristas cruzarem os braços devido a atrasos salariais e de benefícios. O Terminal Urbano ficou vazio, afetando diretamente milhares de usuários.
Após a paralisação, os motoristas voltaram a operar ainda na quinta-feira (23), depois de uma negociação com a Prefeitura de Rio Branco.

Os ônibus voltaram a circular normalmente nesta quinta-feira (23). A retomada ocorreu depois de uma negociação com a prefeitura de Rio Branco — Foto: Reprodução
Segundo Alysson, a gestão já iniciou tratativas com a empresa responsável pelo serviço, a Ricco Transportes, e com os trabalhadores, enquanto um grupo técnico analisa a situação.
“Existe um grupo de trabalho que já fez esse diagnóstico. A gente vai sentar com a empresa e com os trabalhadores para entender essas diferenças, avaliar um possível desinteresse e, a partir disso, entrar com um processo emergencial. Mas tudo de forma oficial, porque se fala muito em propostas, mas ainda não existe nada formalizado”, explicou.
O prefeito ressaltou que, até o momento, nenhuma empresa apresentou proposta oficial para assumir o sistema na capital.
“O pessoal comenta que existem empresas interessadas, a gente também ouve isso nos bastidores, até por conta do novo modelo que se torna mais atrativo. Mas, de forma oficial, nenhuma empresa apareceu ainda. Isso só vai acontecer quando abrirmos esse processo e recebermos propostas concretas”, afirmou.
Apesar disso, Alysson demonstrou otimismo com a possibilidade de atrair novos operadores, especialmente após mudanças recentes na legislação municipal.
“Hoje eu estou mais esperançoso porque a gente já avançou bastante. Modernizamos a legislação, existe um processo em andamento, mesmo que suspenso, e isso dá mais segurança jurídica. As empresas que operam em outros estados já começam a olhar para Rio Branco de forma diferente”, disse.
De acordo com ele, o novo modelo de operação — que prevê pagamento por quilômetro rodado — corrige distorções do sistema anterior.
“Antes era por passageiro, e isso gerava um problema. O ônibus podia rodar o dia inteiro, percorrer muitos quilômetros e transportar poucas pessoas, o que não era viável para a empresa. Com o modelo por quilômetro rodado, você tem mais controle, mais equilíbrio e um sistema mais eficiente”, detalhou.
A Prefeitura também estuda lançar um edital emergencial para garantir a continuidade do serviço enquanto a concessão definitiva segue em andamento.
“Há um indicativo para lançar esse edital emergencial. A gente ainda está fechando os detalhes, pode ser em 15 dias, 30 dias. Esse modelo é mais ágil, permite uma operação temporária, enquanto a licitação definitiva segue seu curso normal, com todas as etapas necessárias”, explicou.
Mesmo diante da crise, Alysson garantiu que qualquer mudança será feita de forma planejada, sem interrupção do serviço.
“Não pode haver ruptura, porque o transporte é um serviço essencial. Ninguém vai simplesmente encerrar um contrato e deixar a cidade sem ônibus. A gente trabalha com uma transição organizada, com prazo, para que a nova empresa possa entrar sem prejudicar a população”, afirmou.
O prefeito destacou ainda que a saída da atual operadora pode ocorrer de forma negociada.
“A gente está dialogando, ouvindo a empresa, colocando os pontos da Prefeitura e buscando um entendimento. Se for o caso de saída, que seja uma transição amigável, justamente para evitar qualquer impacto negativo para quem depende do transporte todos os dias”, disse.
Sobre o futuro do sistema, Alysson reforçou que o edital emergencial e a licitação definitiva são processos distintos, mas complementares.
“Uma coisa não impede a outra. O emergencial resolve o problema imediato, garante que o serviço continue funcionando. Já a concessão é um processo mais amplo, que vai definir a empresa que vai operar por um período maior, com mais estabilidade e planejamento”, explicou.
Por fim, o prefeito destacou que a modernização da legislação é um dos principais fatores para tornar o sistema mais atrativo.
“A lei que existia era muito antiga, não acompanhava mais a realidade. A gente modernizou com base no que já é feito em outras capitais, trazendo mais segurança e atratividade. Isso abre caminho para que novas empresas venham e melhorem o transporte em Rio Branco”, concluiu.


