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China supera Brasil e lidera produção do peixe símbolo da Amazônia

Por Fhagner Soares, ContilNet

Tambaqui: peixe nativo da Amazônia tornou-se modelo de produção intensiva na Ásia./ Foto: Reprodução

O peixe que é a alma da gastronomia amazônica e parte fundamental da identidade do Norte do Brasil está protagonizando um paradoxo econômico global. Em vídeo publicado em suas redes sociais, o empresário e entusiasta da cultura regional, Wander Areosa, trouxe um dado alarmante: a China lidera atualmente a produção mundial de Tambaqui, superando o Brasil em escala e industrialização.

Segundo Areosa, enquanto o Brasil produz anualmente entre 100 e 120 mil toneladas, a China já ultrapassou esse volume operando em escala industrial massiva. O cenário é irônico, já que grande parte da tecnologia de cultivo utilizada no exterior nasceu em solo brasileiro.

A eficiência do ‘ouro negro’ das águas

O Tambaqui não foi escolhido pelos chineses por acaso. Wander destaca que a espécie é uma das mais eficientes da agricultura tropical devido a três fatores principais:

  1. Conversão Alimentar: O peixe cresce rápido em relação ao que consome.

  2. Rusticidade: É um animal resistente e altamente adaptável a diferentes ambientes.

  3. Aceitação Comercial: Possui carne branca de excelente qualidade para o mercado internacional.

Industrialização vs. Consumo Interno

A grande diferença, aponta o CEO do IAR Amazon Resort, está no modelo de negócio. A China transformou o Tambaqui em um produto de exportação, com cadeias logísticas integradas e foco em filés congelados. Já o Brasil ainda mantém uma produção voltada em mais de 80% para o consumo interno, concentrada nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

“Na agricultura moderna, não lidera quem descobriu a espécie, lidera quem industrializou”, afirma Areosa. Para o empresário, o Brasil precisa decidir se continuará apenas como o “berço da riqueza” ou se assumirá o protagonismo como potência econômica.

O Futuro da Amazônia

O alerta serve como uma convocação para que o país repense o aproveitamento de sua biodiversidade. Wander Areosa encerra a reflexão questionando se o Brasil terá fôlego para liderar essa indústria ou se continuará assistindo, de fora, ao sucesso global de sua própria genética.

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