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Conscientizar ou banalizar? O uso de termos do autismo na sociedade atual

Por Leilane Campos, ContilNet

Conscientizar ou banalizar? O uso de termos do autismo na sociedade atual

Leilane Campos, Advogada

Você já se deu conta que diariamente já ouviu alguém falar “fulano está no hiperfoco de tal coisa”, “sicrano tem uma seletetividade” ou até mesmo “minha rigidez cognitiva”?

A popularização de termos técnicos do autismo, impulsionados significativamente pelas redes sociais (como TikTok, Instagram e YouTube), transformou a compreensão pública sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), trazendo benefícios para a conscientização, mas também desafios relacionados à banalização de conceitos. Termos antes restritos a consultórios médicos hoje fazem parte do vocabulário cotidiano de famílias, educadores e autistas, facilitando a identificação de características e a busca por diagnóstico.

Essa popularização tem, de fato, dois lados, sendo um deles extremamente positivo para a inclusão, como a comunicação, pois o uso de termos técnicos ajuda a descrever comportamentos que antes eram vistos apenas como “birra” ou “mau comportamento”, permitindo um acolhimento adequado; a identificação precoce, já que muitos adultos e pais de crianças se identificam com características descritas nas redes sociais, o que leva à busca por diagnóstico e suporte especializado, melhorando a qualidade de vida; e o acolhimento, pois trazer o autismo para a conversa diária ajuda a desmistificar a condição. Ele deixa de ser visto como um “mundo à parte” e passa a ser compreendido como parte da neurodiversidade humana.

Mas nem tudo são flores: o outro viés dessa popularização é o risco de banalização, o risco de usar termos como “hiperfoco” para qualquer foco intenso, ou “autista” como sinônimo de alguém tímido ou antisocial. O autismo é uma condição neurobiológica complexa, não uma gíria. Além disso, há ainda o uso inadequado como ofensa, sendo empregado fora de contexto, como referência à alienação ou até mesmo como insulto.

Diante desse cenário, percebe-se que a mesma popularização que informa também pode distorcer, tornando necessário um olhar mais atento e responsável sobre o uso desses termos.

Que bom que o tema está no dia a dia, pois isso gera conscientização. No entanto, é fundamental que essa popularização venha acompanhada de informação correta e respeito, para que o uso coloquial não esvazie a necessidade de suporte real para as pessoas autistas.

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