“Criamos um bezerro de ouro”, diz Otoni de Paula sobre idolatria a Bolsonaro nas igrejas

Em conversa com o jornalista Luciano da Luz, deputado federal do Rio de Janeiro admite "erro" da igreja ao permitir que a política validasse a fé cristã

Por Redação ContilNet 16/04/2026 Atualizado: há 10 minutos

Em uma conversa franca com o jornalista Luciano da Luz, o deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ) fez uma análise crítica sobre a relação entre o movimento evangélico e o bolsonarismo nos últimos anos. Para o parlamentar, que possui base no segmento religioso, a igreja brasileira cometeu um erro ao permitir que a ideologia política se tornasse um critério de validação da fé.

Segundo Otoni, o cenário mudou drasticamente a partir de 2018. Ele relembra que, antes disso, os fiéis tinham liberdade para votar em diferentes campos políticos, como Dilma, Aécio Neves ou Lula, sem que sua identidade cristã fosse questionada. “De 2018 para cá, quem não votasse em Bolsonaro não era crente, era visto como desviado”, afirmou.

"Criamos um bezerro de ouro", diz Otoni de Paula sobre idolatria a Bolsonaro nas igrejas

“Admitir isso é honestidade intelectual”, afirma o parlamentar sobre o exagero político nos templos/ Foto: Instagram

O “Bezerro de Ouro”

O deputado utilizou uma metáfora bíblica para descrever o atual momento de parte da comunidade evangélica, chamando a polarização extrema de “bezerro de ouro”  uma referência à idolatria. “Hoje tem gente que defende mais Bolsonaro do que Jesus. Se alguém xingar Jesus, o fiel diz ‘perdoa, Pai’. Agora, se xingar Bolsonaro, o cara é capaz de matar o outro”, pontuou.

Para o parlamentar, houve uma inversão de valores onde “Jesus salva, mas Bolsonaro valida”. Ele argumenta que pastores chegaram ao extremo de expulsar ovelhas de suas congregações por divergências políticas, ignorando que o papel da igreja transcende as urnas.

Oração por Lula e Bolsonaro

Pregando o que chama de “honestidade intelectual”, Otoni de Paula defendeu que a igreja deve retomar a racionalidade bíblica. Ele destacou que, embora ore por Bolsonaro, também tem o dever cristão de orar pelo atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva.

“O mesmo Cristo que quer salvar Bolsonaro, quer salvar o Lula também. Ou ele não é digno do céu porque é o Lula? Temos que parar com isso e voltar à racionalidade de Cristo”, concluiu o deputado, reforçando que a salvação não depende de posicionamento partidário.

Veja o vídeo: 

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