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Donadoni pode deixar governo para compor equipe de Alysson

Por Matheus Mello, ContilNet

Donadoni, por sua vez, sempre foi visto como um dos homens fortes de Gladson/Foto: Reprodução

A informação que circula nos bastidores é a de que o secretário da Casa Civil, Jhonatan Donadoni, pode deixar o governo Mailza Assis para assumir espaço na equipe do prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene.

Se a movimentação se confirmar, em vez de surpresa, a leitura será óbvia. Donadoni e Alysson são próximos, têm relação de confiança e caminharam juntos durante toda a gestão Gladson Cameli, quando integravam o núcleo mais estratégico do poder estadual.

A eventual saída acontece justamente no momento em que Mailza começa a reorganizar o Palácio Rio Branco. Desde que assumiu o comando, a governadora tem dado sinais claros de que pretende montar uma equipe com identidade própria e reduzir a presença de nomes herdados da gestão anterior em cargos estratégicos.

Hoje, boa parte do primeiro escalão ainda responde à engenharia política construída por Gladson. E no governo ninguém ignora que, para consolidar autoridade, Mailza precisa cercar-se de auxiliares da própria confiança.

Donadoni, por sua vez, sempre foi visto como um dos homens fortes de Gladson. Sua permanência ou saída carrega peso político e simbólico.

Para Alysson Bestene, seria a chegada de um aliado experiente, conhecedor da máquina e com trânsito político. Para Mailza, a oportunidade de abrir espaço e acelerar a formação do seu núcleo duro.

Silêncio até quando?

Não se sabe quem tem exercitado mais o silêncio na política acreana nos últimos dias: Jessica Sales ou Márcio Bittar.

Jessica segue sem se manifestar publicamente para confirmar se será ou não candidata a vice na chapa de Mailza Assis, mesmo com o MDB e o pai dela, o ex-prefeito Vagner Sales, já tratando o assunto como definido nos bastidores.

Do outro lado, o senador Márcio Bittar também mantém discrição absoluta sobre o possível desgaste na relação com o governo e sobre os rumores de distanciamento da construção política em torno da candidatura de Mailza.

Em política, silêncio raramente significa ausência de movimento. Na maioria das vezes, significa cálculo.

A favorita

O senador Alan Rick já admite nos bastidores três nomes cotados para ocupar a vaga de vice em sua chapa ao governo: o empresário Ricardo Leite, a empresária Ana Paula Correia e a ex-prefeita Fernanda Hassem.

Entre os três, porém, a avaliação dentro do próprio grupo político é de que Fernanda larga em posição mais confortável. Ex-prefeita de Brasiléia, ela reúne experiência administrativa, densidade eleitoral no Alto Acre e perfil político já testado nas urnas.

A leitura entre aliados é de que Fernanda soma atributos importantes para uma chapa majoritária: conhece campanha, tem capilaridade regional e dialoga com diferentes segmentos.

Mais ajuda do que atrapalha?

A sinalização mais recente na política acreana é de que o senador Sérgio Petecão deve mesmo disputar a reeleição ao Senado na chapa encabeçada por Alan Rick ao governo.

A composição, porém, não é vista como unanimidade entre aliados. Petecão tem experiência eleitoral, estrutura partidária e presença consolidada no interior do estado, mas também chega ao debate cercado por números que acendem alerta. Nas pesquisas mais recentes, aparece abaixo de dois dígitos e com rejeição elevada.

No entorno de Alan Rick, a avaliação reservada é de que a aliança pode garantir musculatura política, mas não necessariamente transferência automática de votos. Em uma campanha majoritária, esse detalhe pesa.

É só o venha a nós e o vosso reino nada?

A provável aliança entre Sérgio Petecão e Alan Rick escancara um problema que o PT do Acre tenta esconder há tempos: perdeu a capacidade de organizar, liderar e cobrar lealdade política no estado.

Petecão é senador da base do presidente Lula. Não apenas vota com o governo em momentos importantes, como acumulou, ao longo de três anos, espaço relevante na estrutura federal no Acre. São cargos, superintendências e influência política em órgãos estratégicos. Tudo isso sustentado por um governo que, em tese, deveria esperar contrapartida política mínima.

Mas o que se desenha agora é o inverso.

Depois de usufruir da estrutura federal, Petecão caminha para se aliar a Alan Rick, adversário histórico do PT, crítico frequente de Lula e nome identificado com o campo oposicionista no Acre. Mais do que isso: deve embarcar em uma chapa que não apoiará o candidato local do presidente, Thor Dantas, do PSB.

Traduzindo do politiquês: o governo entrega a caneta, e o aliado entrega o palanque ao adversário.

O episódio revela um PT acuado no Acre, sem força para atrair aliados por projeto político e, aparentemente, sem disposição para impor custos a quem rompe depois de receber espaço. Em qualquer estado onde a articulação funciona, esse tipo de movimento teria consequência imediata.

A pergunta que começa a circular é simples: para que servirão tantos cargos federais, se nem eles garantem sustentação política ao campo lulista?

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