Empresários ligados à empresa Mediall Brasil, responsável pela gestão do hospital de campanha montado no Instituto de Traumatologia e Ortopedia (Into), em Rio Branco, durante a pandemia de Covid-19, foram presos nesta quarta-feira (15) durante uma operação da Polícia Federal.
Entre os alvos estão Roberto Leandro, que integra a Mediall Brasil, além de Hilton Rinaldo Salles Piccelli e Rudson Teodoro da Silva, ambos presos. Também foi alvo da operação Otávio Guimarães Favoreto, ligado à Lifecare, mas que, segundo apurações, teria conexões com o grupo Mediall.
A Mediall firmou contrato com a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) ainda no período da pandemia para administrar o hospital de campanha instalado no Into. À época, a unidade chegou a contar com 40 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e 100 leitos de enfermaria.
Para funcionamento da estrutura, cerca de 660 profissionais foram contratados, entre médicos, enfermeiros, técnicos, fisioterapeutas, farmacêuticos, bioquímicos, fonoaudiólogos, nutricionistas, psicólogos e assistentes sociais.
Durante a vigência do contrato, médicos que atuaram na unidade sob gestão da Mediall denunciaram atrasos salariais que chegaram a seis meses.
Contudo, o contrato firmado entre a Mediall e a Sesacre não foi alvo das investigações das operações deflagradas nesta quarta-feira.
Operação investiga corrupção e desvio de recursos
A ação que resultou nas prisões faz parte de duas operações deflagradas pela Polícia Federal, em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e com apoio do Gaeco do Ministério Público Federal em Goiás.
As investigações apuram crimes de corrupção ativa e passiva, peculato-desvio, lavagem de dinheiro, além de irregularidades em processos licitatórios, com suspeitas de direcionamento e simulação de concorrência. Ao todo, estão sendo cumpridos 50 mandados judiciais.
Uma das ações, denominada Operação Makot Mitzrayim, cumpre 18 mandados de busca e apreensão nos estados de Goiás, Tocantins e Maranhão. O foco é apurar desvios de recursos públicos por meio de contratos realizados por organizações sociais que atuaram em Goiás, com indícios de superfaturamento de serviços e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos responsáveis pela fiscalização.
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Já a Operação Rio Vermelho cumpre 28 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão preventiva. As diligências ocorrem em Goiânia, Brasília e São José do Rio Preto e investigam suspeitas de irregularidades na gestão de recursos destinados ao enfrentamento da pandemia em hospital de campanha administrado por organização social.
Segundo a PF, as investigações tiveram início a partir de auditorias da CGU e identificaram indícios de que a estrutura da organização social teria sido utilizada para viabilizar lucros indevidos por meio de contratações custeadas com recursos públicos.
Também foram apontadas possíveis irregularidades nos processos de seleção de empresas prestadoras de serviços, com indícios de direcionamento e simulação de concorrência, além de vínculos entre dirigentes e empresas contratadas, o que pode indicar favorecimento indevido.
As apurações ainda indicam contratações voltadas à maximização de margens, com possível precarização das relações de trabalho por meio de estruturas consideradas simuladas.
