Sena Madureira relembra, neste 8 de abril, uma das datas mais marcantes e dolorosas de sua história: os 10 anos da morte de Padre Paolino Baldassari, religioso que dedicou quase meio século de sua vida ao cuidado dos mais necessitados no município.
A importância de sua trajetória é tamanha que a data foi instituída como feriado municipal em Sena Madureira, reforçando o respeito e a devoção da população ao sacerdote. Sua partida, em 2016, aos 90 anos, silenciou uma voz firme e acolhedora, mas deixou um legado que permanece vivo na memória e no coração da comunidade.
Nascido em 2 de abril de 1926, em Bolonha, na Itália, Padre Paolino chegou ao Brasil em 1950. Estudou Teologia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e foi ordenado sacerdote em 22 de dezembro de 1953. Após atuar em Santa Catarina, desembarcou no Acre em 1955, onde passou por municípios como Boca do Acre e Brasiléia, até fixar-se definitivamente em Sena Madureira a partir de 1968, onde permaneceu até seus últimos dias. Foram 46 anos servindo a população senamadureirense.
Conhecido como o “médico da floresta”, o sacerdote se destacou por unir fé e conhecimento popular. Aprendeu com comunidades tradicionais o uso de ervas medicinais e passou a atender gratuitamente pessoas que buscavam alívio para doenças, sempre com sua batina e uma inseparável maleta de remédios naturais. Esse conhecimento foi reunido no livro Medicina da Floresta – Fonte de Vida, obra que reúne receitas para o tratamento de diversas enfermidades.

Sua atuação, no entanto, foi muito além da espiritualidade e da medicina alternativa. Padre Paolino também deixou marcas profundas na educação, contribuindo para a construção de mais de 40 escolas em regiões de difícil acesso. Outro gesto de grande impacto foi a doação de uma área de terras para a implantação da Fazenda da Esperança, projeto voltado à recuperação de dependentes químicos.
Atualmente, Sena Madureira mantém viva a história do religioso por meio de um memorial dedicado a ele, onde estão reunidos objetos pessoais, além de uma réplica do barco utilizado em suas longas viagens pelas comunidades ribeirinhas, símbolo de uma vida inteira dedicada ao próximo.
O reconhecimento de sua trajetória também avança no âmbito religioso. O processo de beatificação teve início em 2019 e ganhou um passo importante com a abertura oficial do inquérito diocesano em 2022. Caso seja declarado beato futuramente, Padre Paolino poderá se tornar o primeiro pároco da Amazônia a receber o título.
Para o amigo pessoal Ênio Márcio, o legado do sacerdote é impossível de ser esquecido. “Ele não tinha vaidade, vivia para servir ao próximo e à nossa comunidade. Me sinto honrado por ter sido batizado por ele, que também celebrou meu casamento e batizou minha filha. Em um momento difícil da minha vida, senti sua presença e alcancei uma graça que pedi com fé”, relatou.
Neste ano, quando celebraria 100 anos de idade, a Igreja Católica prepara uma série de homenagens ao centenário de Padre Paolino. As atividades devem ocorrer ao longo de todo o ano, reforçando a importância de manter viva a memória de quem dedicou sua vida a servir com humildade, fé e amor.
Mais do que lembrado, Padre Paolino segue presente na história de Sena Madureira, como símbolo de solidariedade, esperança e devoção, eternizado também no calendário oficial do município como feriado.
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