A luta contra a reincidência criminal no Vale do Juruá passa, necessariamente, pelo enfrentamento à dependência química. O Instituto de Administração Penitenciária (Iapen), por meio da Central Integrada de Alternativas Penais de Cruzeiro do Sul (Ciap/CZS), tem intensificado o acompanhamento de monitorados por tornozeleira eletrônica e egressos do sistema prisional, focando no tratamento da drogadição como ferramenta de ressocialização.
Desde a implantação da unidade, em agosto de 2023, 16 pessoas que cometeram pequenos delitos foram encaminhadas para comunidades terapêuticas mediante ordem judicial. A iniciativa busca tratar a “raiz” dos delitos, uma vez que o uso de álcool e outras drogas é identificado como fator comum na vida de muitos que ingressam no sistema penal.

Rotina definida na Comunidade Reviver inclui momentos de lazer e espiritualidade./ Foto: José Lucas Gaia/Iapen
O Relato da Mudança
Para F. D., que cumpre monitoramento eletrônico e está há um mês na comunidade Reviver, o tratamento representa um resgate. “Acabei me envolvendo nas drogas como escape, me prejudicando ainda mais. Aqui não tratamos só a droga, tratamos problemas psicológicos, traumas e depressão”, relata o interno, que acredita estar em um processo de renovação para retornar à sociedade de forma digna.
Rotina e Laborterapia
Na Comunidade Terapêutica Reviver, parceira da Ciap, o tratamento é baseado em uma rotina rigorosa e na laborterapia. Sob a gestão do pastor e assistente social Elians Monteiro, os internos exercem atividades de cuidado com a horta, limpeza e cozinha. “A espiritualidade tem que ter obra. Ter afazeres e ocupações proporciona mais dignidade a eles”, explica o gestor, que atua na área há 16 anos.

Monitorados por tornozeleira em Cruzeiro do Sul recebem tratamento contra dependência/ Foto: José Lucas Gaia/Iapen
Além do trabalho braçal, os internos possuem horários para espiritualidade, lazer (incluindo futebol e musculação) e até aulas de violão.
Foco na Raiz do Crime
A coordenadora da Ciap em Cruzeiro do Sul, Nayana Neves, reforça que o acolhimento por determinação judicial é primordial para a responsabilização e conscientização. “É importante trabalhar a raiz do que gera o problema na vida do indivíduo. Trabalhar quem comete pequenos delitos é o caminho para a ressocialização efetiva”, afirma a coordenadora.
O projeto segue como um dos pilares da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública para transformar o perfil do egresso, oferecendo suporte psicológico e social em vez de apenas o encarceramento.

