A instabilidade no Oriente Médio ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (17). O governo do Irã ameaçou fechar novamente o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o comércio de petróleo, caso o bloqueio imposto pelos Estados Unidos no Mar Arábico não seja interrompido.
O anúncio surge poucas horas após o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, confirmar a reabertura do canal para embarcações comerciais enquanto durar o atual cessar-fogo. No entanto, o clima de trégua foi abalado por declarações vindas de Washington. O presidente Donald Trump, embora tenha agradecido a reabertura, deixou claro que o bloqueio norte-americano contra navios ligados a portos iranianos permanece em vigor.
Condições Iranianas
De acordo com a agência de notícias Fars, ligada à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), o Irã considera a postura de Trump uma violação direta aos termos acordados. Para manter o fluxo de navios, o regime de Teerã estabeleceu três exigências inegociáveis:
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Natureza da Carga: Apenas navios comerciais podem passar; embarcações militares ou ligadas a “países hostis” estão proibidas.
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Rota Definida: Os navios devem seguir estritamente o trajeto determinado pelas autoridades iranianas.
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Coordenação Militar: Todo o trânsito deve ser coordenado com as forças da IRGC, retomando o modelo de gestão reconhecido internacionalmente antes do início do conflito.
A Postura de Washington
Em publicação na rede social Truth Social, Donald Trump afirmou que o cerco continuará até que as negociações bilaterais sejam “100% concluídas”. Em tom de vitória, o líder norte-americano escreveu que o Irã teria concordado em “nunca mais usar o Estreito de Ormuz como arma contra o mundo”, afirmação que entra em choque direto com as novas ameaças de fechamento divulgadas pela agência Fars.
A situação coloca o mercado global em alerta, uma vez que qualquer interrupção em Ormuz tem potencial para causar uma disparada imediata nos preços das commodities e afetar a cadeia de suprimentos internacional.

