O clima entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca atingiu o ponto mais crítico do ano de 2026. O governo brasileiro estuda seriamente uma medida de retaliação que pode resultar na expulsão de agentes norte-americanos que atuam em solo brasileiro. A movimentação, confirmada por fontes diplomáticas, é uma reação direta à ordem de Washington para que o delegado da Polícia Federal, Marcelo Ivo, deixe o território dos Estados Unidos.
O delegado Ivo era o responsável pelo monitoramento que resultou na prisão de Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin, em solo americano. A crise escalou após o governo dos EUA publicar em redes sociais acusações de “perseguição política” e manipulação do sistema de imigração por parte de estrangeiros, sem, contudo, enviar qualquer explicação formal pelos canais diplomáticos ao Brasil.
Lula fala em reciprocidade: “Não tem conversa”
Diretamente da Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom da resposta nesta terça-feira (21). O presidente deixou claro que o Brasil não aceitará o que classificou como abusos contra autoridades brasileiras no exterior.
“Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com os deles no Brasil. Não tem conversa”, disparou o presidente.
O princípio da reciprocidade é o pilar que sustenta essa possível decisão. Caso o Departamento de Estado americano não apresente provas de que o delegado brasileiro agiu fora de suas funções ou não reverta o pedido de saída, o Itamaraty deve determinar a retirada imediata de funcionários americanos que prestam serviço no Brasil sob acordos de cooperação.
Agressividade nas redes sociais e vácuo diplomático
Fontes do Itamaraty ouvidas pela reportagem classificaram a postura do Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA como “incomum” e “agressiva”. Para a diplomacia brasileira, o fato de Washington ter usado as redes sociais para lançar acusações graves, em vez de notas formais, é um sinal de desrespeito à soberania nacional.
Atualmente, delegados da PF e agentes americanos trabalham amparados por um memorando de entendimento renovado em 2025. O rompimento desse regime de cooperação mútua que envolve segurança nacional e investigação de figuras políticas — seria uma medida drástica não vista há décadas na relação bilateral entre as duas potências.
Próximos passos
O desfecho desta queda de braço depende agora de uma resposta oficial vinda de Washington. Internamente, a pressão para que o Brasil responda “à altura” é grande, e a ordem de expulsão de agentes americanos pode ser assinada nos próximos dias se o silêncio formal dos EUA persistir. O episódio não apenas abala a relação diplomática, como também redefine os limites da cooperação policial para o restante de 2026.