MPAC amplia estratégias para garantir defesa de sítios arqueológicos

Iniciativa integra formação de Agentes Agroflorestais Indígenas, unindo ciência e tradição para qualificar o monitoramento desses bens

Por Fhagner Soares, ContilNet 20/04/2026 às 13:48

A preservação dos geoglifos as gigantescas e misteriosas estruturas geométricas milenares do Acre  ganhou um novo fôlego jurídico e prático no último sábado (18). Em vez de apenas monitorar à distância, o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) decidiu mergulhar na arqueologia amazônica para criar uma barreira contra o apagamento da história regional.

A estratégia agora é clara: unir a força jurídica do Caop-Maphu e o rigor científico do Núcleo de Apoio Técnico (NAT) ao conhecimento prático dos povos tradicionais. Em uma ação conjunta com o Iphan e a CPI-Acre, o Ministério Público está treinando agentes agroflorestais indígenas para que eles sejam os primeiros sentinelas desses sítios arqueológicos.

MPAC amplia estratégias para garantir defesa de sítios arqueológicos

Agentes agroflorestais indígenas agora integram a rede de proteção dos geoglifos milenares/ Foto: MPAC

Justiça e Ciência na Paisagem

O promotor Alekine Lopes dos Santos, coordenador do Caop-Maphu, explicou que o objetivo não é apenas contemplar as estruturas, mas muni-las de defesa legal. Segundo ele, quando os peritos do MPAC aprofundam o conhecimento técnico sobre os geoglifos, o órgão consegue desenhar estratégias jurídicas muito mais agressivas e eficazes para punir quem danifica esse patrimônio coletivo.

Na prática, isso significa que o laudo técnico do Iphan agora terá o respaldo direto do monitoramento em solo feito pelos indígenas, criando um dossiê robusto para ações civis públicas.

A Voz da Terra

Para o Iphan, os geoglifos não são apenas “buracos no chão”, mas evidências complexas de que a Amazônia era densamente habitada e tecnologicamente organizada há milhares de anos. A parceria com os agentes indígenas que já vivem nos territórios onde muitas dessas estruturas estão localizadas qualifica o monitoramento. É a ciência moderna bebendo da experiência ancestral para garantir que a história da ocupação humana no Acre não seja apagada pelo avanço desordenado ou pelo desconhecimento.

Essa nova montagem institucional coloca o Acre na vanguarda da preservação arqueológica participativa, onde o promotor de justiça e o agente agroflorestal indígena falam a mesma língua: a da proteção do patrimônio cultural.

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