Muito além da resistência histórica, mulheres indígenas no Acre estão ocupando, cada vez mais, espaços de decisão e influência, e mudando, na prática, a forma como políticas e ações são construídas nos territórios. O que antes era exceção começa a se consolidar como movimento: elas deixam de ser apenas guardiãs da cultura para se tornarem também protagonistas nas esferas política, educacional e social.
Na Terra Indígena Arara/Igarapé Humaitá, a cerca de 450 quilômetros de Rio Branco, esse avanço já é visível no cotidiano. A secretária de Povos Indígenas, Francisca Arara, acompanha de perto essa transformação, marcada pelo fortalecimento da autonomia feminina e pela presença ativa nas decisões coletivas.
“Seja dentro da aldeia ou fora dela, estamos defendendo direitos, participação e escuta, para que a nossa voz alcance todos os espaços”, afirma. Segundo ela, o cenário atual já revela mulheres atuando como caciques, lideranças comunitárias, professoras e até pajés, funções que, por muito tempo, foram ocupadas majoritariamente por homens.
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Esse movimento também se reflete na forma como os próprios povos indígenas se reconhecem. Para a artesã Júlia Yawanawa, da Terra Indígena Rio Gregório, a valorização passa pelo respeito ao modo de vida e à relação com a floresta. “Não somos parte da paisagem, somos protagonistas da nossa história”, destaca.
Além do protagonismo político e cultural, a educação surge como um dos principais caminhos para ampliar essa presença. É nas salas de aula que muitas dessas lideranças começam a construir trajetórias que ultrapassam os limites das aldeias. A professora e gestora Edileuda Shanenawa, ligada à Organização dos Professores Indígenas do Acre, representa essa nova geração que alia conhecimento tradicional à formação acadêmica.
“Hoje, há mulheres indígenas graduadas, em formação e na pós-graduação. Esse avanço fortalece nossa presença nas instituições e nos espaços de decisão”, explica.
Com informações da Agência de Notícias do Acre