A maior fabricante de eletrodomésticos do planeta, Whirlpool detentora das marcas Brastemp e Consul, oficializou nesta semana a transferência integral de sua produção da Argentina para o Brasil.
Na ocasião, o fim das atividades foi decidido por meio do Conselho de Administração, na unidade de Pilar, na província de Buenos Aires, e consolida o complexo de Rio Claro, no interior paulista, como o centro manufatureiro do grupo para a América do Sul.
Para viabilizar a mudança, a operação no Brasil comprou ativos industriais da unidade argentina, avaliados em US$ 36,7 milhões, cerca de R$ 194,1 milhões na época da negociação.
O governo de São Paulo tem adotado políticas de incentivo fiscal voltadas ao setor de eletrodomésticos da chamada linha branca.
Entre as medidas estão a redução do ICMS para 7% na fabricação de produtos como geladeiras, fogões e máquinas de lavar, além do adiamento do imposto na compra de insumos e da isenção na importação de matérias-primas sem equivalente nacional.
Fim da produção na Argentina ocorre em meio a invasão de produtos asiáticos
O encerramento da produção na Argentina ocorre em um cenário de forte entrada de produtos asiáticos no mercado local. A redução da tarifa de importação de eletrodomésticos, que caiu de 35% para 20%, facilitou a chegada desses itens ao país.
Segundo representantes da indústria, o volume mensal de máquinas de lavar importadas saltou de 5 mil para 87 mil unidades, tornando inviável a concorrência com a produção nacional.
Diante da perda de competitividade, a fábrica em Pilar teve sua produção reduzida de cerca de 600 para 400 unidades por dia antes da paralisação.
Com o fim das atividades industriais, a unidade argentina passará a atuar apenas como importadora e distribuidora, mantendo entre 100 e 120 funcionários nas áreas administrativa e comercial.
De acordo com o sindicato União Operária Metalúrgica (UOM), o fechamento da produção resultou na demissão de 220 trabalhadores diretos no final do ano passado.