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Museu dos Povos Acreanos abre exposição sobre cartografia indígena

Por Fhagner Soares, ContilNet

Museu dos Povos Acreanos abre exposição sobre cartografia indígena

Obras funcionam como prova documental em disputas por limites de terras/ Foto: Luan Moura/FEM

O mapa deixou de ser uma ferramenta de quem invade para virar arma de quem defende. O Museu dos Povos Acreanos, em Rio Branco, abriu nesta quarta-feira (8) a exposição “Cartografia Indígena – Descolonizando Mente e Espaço”, que escancara como os povos originários estão retomando a narrativa de suas próprias terras.

A mostra apresenta 23 mapas produzidos por agentes agroflorestais indígenas formados pela Comissão Pró-Indígenas do Acre (CPI-Acre). Não são apenas desenhos; são documentos estratégicos. Hoje, essas etnias utilizam esse mapeamento autoral para bater de frente em conflitos fundiários, planejar a gestão ambiental e delimitar recursos naturais que o Estado muitas vezes ignora.

Museu dos Povos Acreanos abre exposição sobre cartografia indígena

Exposição reúne 23 mapas estratégicos produzidos por indígenas do Acre/ Foto: Luan Moura/FEM

O Mapa como Proteção

A técnica, ensinada no Centro de Formação dos Povos da Floresta (CFPF), foi adaptada para a realidade das aldeias, unindo símbolos tradicionais ao geoprocessamento. “A cartografia indígena tem esse sentido de luta e de valorização dos direitos sobre os territórios”, afirma José Frank de Melo Silva, geógrafo da CPI-Acre.

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A exposição, que conta com o apoio da Fundação Elias Mansour (FEM), subverte a lógica da cartografia clássica. O objetivo é claro: usar o papel para afirmar a identidade e garantir a sobrevivência na floresta.

A visitação acontece na Galeria de Exposições Sansão Pereira e segue aberta até o dia 31 de maio, com entrada franca a partir das 9h.

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