O cenário político do Acre começa a ganhar novos contornos com a entrada do atual secretário de Saúde, Pedro Pascoal, na disputa por uma vaga na Câmara Federal. Nos bastidores, a informação que circula com força é de que ele deverá concorrer pelo Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro e que, no estado, é liderada pelo senador Márcio Bittar.
Apesar de, publicamente, Pedro Pascoal negar qualquer movimentação partidária, uma importante liderança do PL revelou ao ContilNet que o secretário já teria, inclusive, assinado a ficha de filiação, etapa fundamental para viabilizar sua candidatura nas eleições de 2026. A informação, se confirmada, indica que a articulação está mais avançada do que se admite oficialmente.
O movimento não ocorreria de forma isolada. Segundo a mesma fonte, a filiação de Pedro Pascoal teria sido avalizada tanto pelo governador Gladson Camelí quanto pelo próprio Márcio Bittar, o que demonstra alinhamento dentro do grupo político que hoje comanda o estado. A pré-candidatura do secretário seria estratégica: além de representar a gestão na área da saúde, ele desponta como um nome técnico que pode dialogar com diferentes segmentos do eleitorado.

Gladson e Pedro Pascoal — Foto: Ingrid Kelly/Secom
Nos bastidores, a leitura é de que o PL busca fortalecer sua nominata para deputado federal com nomes competitivos e com densidade eleitoral. A entrada de Pedro Pascoal, nesse contexto, agregaria não apenas visibilidade, mas também a chancela de um governo que ainda mantém influência significativa no cenário local.
Por outro lado, a negativa pública do secretário indica cautela. Em política, esse tipo de movimento costuma ser tratado com discrição até que todos os fatores, partidários, eleitorais e jurídicos, estejam plenamente alinhados. A antecipação de uma filiação pode gerar desgastes desnecessários, especialmente em um momento em que a gestão da saúde ainda enfrenta desafios e demanda atenção integral.
O Acre poderá assistir a mais uma disputa marcada pela presença de nomes ligados diretamente ao núcleo do governo estadual, reforçando a tendência de nacionalização e polarização que deve marcar o pleito de 2026.
Enquanto isso, o silêncio oficial contrasta com o barulho dos bastidores, onde, muitas vezes, as decisões mais importantes já foram tomadas antes mesmo de serem anunciadas.
