Em um cenário polĂtico cada vez mais marcado por narrativas rápidas e sentenças antecipadas, um nome segue desafiando as previsões no Acre: SĂ©rgio PetecĂŁo.
Ao final de 2026, PetecĂŁo completa 16 anos de mandato apenas no Senado da RepĂşblica, uma marca que, por si sĂł, já o coloca entre os nomes mais longevos e experientes da polĂtica acreana contemporânea. Ainda assim, apesar do tempo, ele segue longe de aparentar desgaste nas ruas, nos municĂpios do interior e, principalmente, no contato direto com a população.
É comum ouvir, nos bastidores e nas rodas polĂticas, comentários de que “PetecĂŁo acabou” ou que “nĂŁo se elege mais nem para presidente de bairro”. Mas a polĂtica real, aquela que se faz no corpo a corpo, nas comunidades mais distantes e nos bairros populares, muitas vezes conta uma histĂłria diferente.
O que se vĂŞ Ă© um polĂtico ativo, presente, percorrendo os grotões do Acre com a desenvoltura de quem conhece o terreno como poucos. PetecĂŁo conversa, brinca, improvisa, cria empatia instantânea e transforma cada agenda em um espetáculo Ă parte. Há nele um tipo raro de espontaneidade que, gostem ou nĂŁo seus adversários, produz conexĂŁo popular.

Senador acreano brincando de ‘escorrega’ em um de seus eventos polĂticos/Foto: Rede social
Se tivesse sido descoberto pela televisĂŁo nacional dĂ©cadas atrás, talvez pudesse mesmo ter se tornado um grande humorista. O carisma, a irreverĂŞncia e a capacidade de arrancar risos do pĂşblico sĂŁo marcas registradas de sua personalidade. Na polĂtica, isso se converte em algo ainda mais valioso: presença.
PetecĂŁo Ă© um personagem singular do cenário acreano. NĂŁo demonstra medo do julgamento pĂşblico, tampouco parece se constranger com situações que outros polĂticos evitariam. É justamente essa ausĂŞncia de filtros, somada a um estilo popular e despojado, que o torna tĂŁo reconhecĂvel. Ele se mistura com a multidĂŁo, toma uma cachaça com eleitores, brinca com crianças, entra na lama, pula, ri e faz do momento polĂtico um evento social.
Muitos veem nisso folclore. Mas há também estratégia.
A memĂłria eleitoral acreana já mostrou que PetecĂŁo nunca deve ser subestimado. Na eleição de 2018, quando aparecia nas posições inferiores das pesquisas, poucos apostavam em sua reação. Bastou, porĂ©m, um episĂłdio de forte repercussĂŁo polĂtica envolvendo o ex-governador Jorge Viana para que o jogo virasse rapidamente. Em questĂŁo de dias, o senador saiu da rabeta para o topo.
Ali ficou evidente sua maior qualidade: a astĂşcia polĂtica.
PetecĂŁo sabe ler o ambiente, sentir o humor das ruas e transformar crises em oportunidades. É um sobrevivente da polĂtica, daqueles que prosperam justamente quando muitos já o consideram derrotado.
Por isso, quem olha para 2026 com seriedade sabe que descartá-lo é um erro estratégico. No Acre, poucos dominam tão bem a linguagem popular, o improviso e o instinto eleitoral quanto ele.
Na polĂtica, sobretudo na acreana, a histĂłria já ensinou uma lição: enquanto PetecĂŁo estiver andando, conversando e sendo lembrado pelo povo, nunca estará fora do jogo.

