PF vê página Choquei como peça-chave em esquema bilionário

Investigação indica uso de perfil de entretenimento para blindar imagem de investigados e impulsionar apostas ilegais

Por Redação ContilNet 19/04/2026 às 14:50

O que parecia apenas uma página de entretenimento pode ter operado nos bastidores de um esquema bilionário. A Polícia Federal identificou indícios de que o perfil Choquei foi usado como instrumento de “lavagem de reputação” para proteger investigados e dar visibilidade a atividades ilegais.

De acordo com a coluna de Mirelle Pinheiro, do Metrópoles, o responsável pela página, Raphael Sousa Oliveira, teria ligação direta com o núcleo financeiro do grupo, segundo documentos da investigação. Ele é citado como destinatário de repasses e atuaria na construção de uma narrativa pública favorável aos envolvidos, suavizando crises e ampliando a influência digital do esquema.

A apuração também aponta que a página teria promovido plataformas de apostas ilegais por meio de links e campanhas disfarçadas, ao mesmo tempo em que ajudava a conter danos de imagem de nomes centrais, como o cantor MC Ryan SP.

Segundo a PF, movimentações financeiras reforçam a suspeita. Transferências diretas feitas por Ryan Santana dos Santos ao administrador da página, somando cerca de R$ 270 mil, ocorreram sem intermediação formal de empresas — o que pode indicar ocultação patrimonial ou pagamentos informais por serviços de blindagem de imagem.

Os investigadores também identificaram concentração de valores em contas pessoais, sugerindo possível confusão patrimonial. Para a PF, esse tipo de operação mistura receitas legais e ilícitas, dificultando o rastreamento do dinheiro.

O caso veio à tona com a deflagração da Operação Narco Fluxo, que mobilizou mais de 200 agentes para cumprir dezenas de mandados de prisão e busca e apreensão. A operação investiga um esquema que pode ter movimentado mais de R$ 260 bilhões, envolvendo tráfico de drogas, apostas ilegais e rifas virtuais.

Entre os alvos estão nomes conhecidos do público, como MC Poze do Rodo, além de influenciadores digitais e empresários. As autoridades apontam que o grupo utilizava empresas do setor artístico e digital para dar aparência de legalidade às operações.

A investigação segue em andamento e deve aprofundar o papel das redes sociais como ferramentas não apenas de influência, mas também de possíveis articulações financeiras e reputacionais no crime organizado.

Com informações do Metrópoles

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