O acidente aéreo que vitimou um piloto na madrugada deste sábado (18), em uma área rural de Altair (SP), revelou um histórico de investigações federais envolvendo a vítima. Gabriel Bispo Gonçalves, morador de Ponta Porã (MS), já havia sido alvo da Operação Flight Radar, deflagrada pela Polícia Federal em 2023 para desarticular esquemas de narcotráfico aéreo.
Gabriel era apontado como proprietário de uma aeronave apreendida em 2022 no Mato Grosso do Sul, em um caso onde um comparsa foi preso tentando transportar 300 quilos de cocaína da fronteira com o Paraguai para o estado de São Paulo. Naquela ocasião, as autoridades já haviam identificado licenças vencidas e falta de autorização para voo.
Aeronave operava de forma irregular
A tragédia deste sábado também foi marcada por irregularidades documentais. Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o monomotor Cessna U206E pilotado por Gabriel estava com o certificado de aeronavegabilidade suspenso desde o dia 9 de abril. Na prática, a aeronave estava proibida de decolar devido a pendências técnicas ou burocráticas.
O acidente ocorreu por volta de 0h45 em uma fazenda próxima a uma usina de cana-de-açúcar. Funcionários do local relataram ter visto um forte clarão seguido de incêndio no canavial. O Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar foram acionados, mas encontraram o piloto já sem vida entre os destroços.
Cenipa assume investigação das causas
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) foi notificado e enviou equipes para realizar a perícia técnica nos destroços espalhados pela plantação. O objetivo é determinar se a queda foi provocada por falha mecânica, erro humano ou condições meteorológicas.
A área permanece isolada para os trabalhos periciais da Polícia Civil e do órgão ligado à Força Aérea Brasileira. Até o fechamento desta matéria, não houve confirmação sobre a existência de carga ilícita no monomotor acidentado.