O mistério sobre o paradeiro do professor goiano Danilo Neves Pereira, de 35 anos, terminou em tragédia nesta segunda-feira. Desaparecido há quase uma semana em Buenos Aires, na Argentina, Danilo foi localizado morto no Hospital Ramos Mejía. Segundo informações do jornal argentino Clarín, o brasileiro deu entrada na unidade de saúde ainda na última quarta-feira (15), sendo listado inicialmente como um paciente não identificado.
As últimas notícias que familiares e amigos receberam de Danilo foram registradas na terça-feira (14). Na ocasião, o professor informou que sairia para um encontro marcado por meio de um aplicativo com uma pessoa que se identificava como Ulysses. Durante o trajeto, ele chegou a enviar sua localização em uma área turística e central da capital argentina, em um prédio em frente à Embaixada de Israel e próximo ao tradicional Café Tortoni, região densamente monitorada por câmeras.
Contradições e desconfiança da família
A Polícia da Cidade de Buenos Aires citou uma descompensação psicotrópica devido ao uso de cocaína como a causa da morte. No entanto, o histórico de Danilo e as circunstâncias do encontro geram profundas dúvidas entre as pessoas próximas. Amigos descrevem o professor como um homem extremamente responsável e que não desapareceria sem motivo. Agora, familiares desconfiam que “Ulysses” possa ser um nome falso e cobram que os investigadores rastreiem o celular do brasileiro e analisem as imagens das câmeras de segurança do local do encontro.
A Divisão de Pessoas Desaparecidas da Polícia portenha confirmou que havia recebido um pedido formal da Procuradoria-Geral da República para localizar o brasileiro. Danilo estava morando na Argentina para concluir sua tese de doutorado em linguística aplicada, com defesa prevista já para o próximo mês de maio.
Carreira acadêmica e luto na UFG
Danilo Neves Pereira construiu uma trajetória sólida na educação. Durante 12 anos, ele ministrou aulas de inglês no Centro de Línguas da Universidade Federal de Goiás (UFG), instituição onde também concluiu sua graduação e o mestrado. Antes de se mudar para a Argentina, o professor residia no Rio de Janeiro, onde cursava o doutorado em uma universidade federal.
O caso agora segue sob investigação das autoridades argentinas, enquanto a família aguarda os trâmites para o translado do corpo e busca respostas sobre o que de fato aconteceu após o sinal de localização enviado por Danilo na noite de seu desaparecimento.

