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Putin oferece mediação russa após fracasso de acordo entre EUA e Irã

Por Victória Anhesini

Russian President Vladimir Putin Holds A Meeting With Members Of The Government In Moscow

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Após as tratativas entre Irã e Estados Unidos para um acordo de paz foram encerradas sem sucesso no último sábado (11), o líder russo Vladimir Putin ligou para Masoud Pezeshkian, presidente iraniano, para colocar a Rússia à disposição na busca por um entendimento. A conversa ocorreu após um ciclo de 21 horas de discussões que não resultou em consenso.

O posicionamento de Moscou, transmitido através do Kremlin e divulgado pela agência Interfax, reforça a disponibilidade do país em colaborar com a estabilidade do Oriente Médio.

O governo russo, que anteriormente criticou duramente os americanos pela morte de Khamenei e pelos ataques de fevereiro, agora tenta se tornar um dos mediadores.

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“Vladimir Putin enfatizou sua disposição em facilitar ainda mais a busca por uma solução política e diplomática para o conflito e em mediar os esforços para alcançar uma paz justa e duradoura no Oriente Médio”, disse a nota do Kremlin.

Pezeshkian confirmou o contato, detalhando que o balanço das recentes negociações e o cenário do cessar-fogo foram os temas centrais do diálogo com o aliado russo. Atualmente, o Paquistão lidera o papel de anfitrião e intermediário oficial, contando ainda com a articulação paralela da China nos bastidores.

Impasse nas negociações

As delegações deixaram solo paquistanês nesta manhã sem uma data para novo encontro. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, declarou que a ausência de um acordo prejudica mais o Irã do que o seu país.

“Deixamos bem claro quais são os nossos limites, no que estamos dispostos a ceder e no que não estamos. Fizemos isso da forma mais clara possível, e eles escolheram não aceitar nossos termos”, disse Vance.

Pelo lado iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, que preside o parlamento, demonstrou cautela ao comentar a postura americana via redes sociais, mas não fechou as portas para o diálogo.

“Meus colegas apresentaram iniciativas promissoras, mas, no fim, o lado oposto não conseguiu conquistar a confiança da delegação iraniana nesta rodada de negociações”, afirmou Ghalibaf. Ele acrescentou: “A América entendeu a nossa lógica e os nossos princípios. Agora, é hora de decidir se ela pode ganhar a nossa confiança”.

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Atrito

Apesar do Estreito de Ormuz continue sendo o principal entrave para uma finalização mais positiva da guerra, o Ministério das Relações Exteriores do Irã vê avanços em outras áreas. Esmail Baqaei, porta-voz da pasta, ponderou sobre a complexidade do processo.

“Naturalmente, não era esperado que chegássemos a um acordo em uma única sessão. Vamos continuar trabalhando para aproximar as visões dos americanos e dos iranianos”, disse à TV estatal do Irã.

Teerã sinalizou positivamente a um plano de dez pontos sugerido pelo Paquistão, que prevê a coordenação militar iraniana no Estreito de Ormuz. Além disso, o chanceler Abbas Araghchi condicionou a trégua ao fim dos bombardeios no Irã e propôs uma taxação inédita para navios que cruzarem a região.

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No campo regional, a tensão persiste. O Irã aponta violações de Israel no Líbano, enquanto Donald Trump e Benjamin Netanyahu sustentam que o cessar-fogo não abrange o Hezbollah. Apesar disso, um encontro direto entre representantes israelenses e libaneses deve ocorrer na próxima semana em Washington, embora Netanyahu ressalte que, no momento, não existe uma suspensão oficial das hostilidades.


Conteúdo reproduzido originalmente em: InfoMoney por Victória Anhesini

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