Quem passar pelo estacionamento da entrada do campus do Centro Universitário Uninorte, nesta segunda-feira (20), entre 17h e 22h, pode se deparar com uma cena incomum: pessoas feridas, equipes em ação e atendimentos simultâneos. Apesar do impacto visual, trata-se de uma simulação realista de um incidente com múltiplas vítimas, organizada para treinar estudantes do curso de Enfermagem em situações de emergência.
A atividade integra o plano de ensino da disciplina de Urgência e Emergência e busca reproduzir, com o máximo de fidelidade possível, cenários críticos que exigem respostas rápidas e coordenadas. No exercício, os alunos assumem o papel de primeiros socorristas diante de um evento com diversas vítimas, em que o tempo e a organização são determinantes para salvar vidas.
Durante a simulação, será aplicado o método START (Simple Triage and Rapid Treatment), protocolo utilizado internacionalmente em situações de desastre para classificação rápida de pacientes. A técnica permite identificar, em poucos minutos, quais vítimas precisam de atendimento imediato, quais podem aguardar e quais apresentam menor risco.
Na prática, os estudantes terão de avaliar sinais vitais básicos, como respiração, circulação e nível de consciência, enquanto lidam com um ambiente de pressão e múltiplas demandas ao mesmo tempo. O objetivo é desenvolver habilidades essenciais para atuação em urgências, como tomada de decisão, priorização de atendimentos e trabalho em equipe.
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O cenário montado no estacionamento contará com figurantes representando vítimas, caracterizados com diferentes tipos de lesões, o que torna o treinamento mais próximo da realidade. A proposta é justamente expor os alunos a uma experiência imersiva, capaz de simular o estresse e a complexidade de ocorrências reais, como acidentes de trânsito ou desastres de grande porte.
Além da aplicação técnica, a simulação também avalia o comportamento dos participantes diante de situações de চাপ, incluindo comunicação entre equipes, liderança e organização do fluxo de atendimento. Em cenários com múltiplas vítimas, a capacidade de coordenação é fundamental para evitar colapsos no atendimento e garantir eficiência nas ações.
Ao final da atividade, os alunos passam por uma análise de desempenho, com foco em critérios como agilidade na triagem, precisão das decisões e cumprimento dos protocolos. O retorno permite identificar pontos fortes e fragilidades, contribuindo para o aprimoramento da formação profissional.

Método START: triagem em menos de 60 segundos
Criado em 1983, na Califórnia, o método START (Triagem Simples e Tratamento Rápido) é amplamente utilizado por equipes de resgate em todo o mundo para organizar o atendimento em cenários com múltiplas vítimas, como acidentes graves e desastres. A lógica é simples e direta: avaliar rapidamente cada pessoa, em menos de 60 segundos, e definir prioridades para maximizar o número de sobreviventes.
A classificação é feita com base em três critérios principais: respiração, circulação (pulso) e estado mental. A partir dessa análise, as vítimas são divididas por cores, que indicam o nível de urgência:
- Vermelho (imediato): pacientes com lesões graves e risco iminente de morte;
- Amarelo (urgente): casos moderados que podem aguardar por um curto período;
- Verde (leve): feridos com condições de locomoção, considerados de menor risco;
- Preto (óbito ou sem chances de sobrevivência): pacientes que não apresentam respiração mesmo após abertura das vias aéreas.
O protocolo segue uma sequência prática durante a triagem. Inicialmente, o socorrista solicita que as vítimas capazes de andar se desloquem para uma área segura, essas são classificadas como leves. Em seguida, avalia-se a respiração: se o paciente não respira, a via aérea é aberta; caso volte a respirar, ele é classificado como imediato. Se não houver resposta, é considerado óbito.
Na sequência, é feita a verificação da circulação, por meio do pulso. A ausência de pulso radial indica prioridade máxima. Por fim, avalia-se o estado mental, observando se a vítima consegue obedecer a comandos simples, caso contrário, também é classificada como grave.

