ContilNet Notícias

Vereadores que faziam oposição a Bocalom pulam do barco e mudam para base de Alysson

Por Matheus Mello, ContilNet

Alysson afirmou que a gestão trabalhou com responsabilidade o dinheiro público

Alysson afirmou que a gestão trabalhou com responsabilidade o dinheiro público | Foto: Juan Diaz, ContilNet

O início da gestão de Alysson Bestene já dá sinais de que o relacionamento com a Câmara Municipal seguirá um caminho bem diferente do enfrentado por Tião Bocalom. Em poucos dias no cargo, o novo prefeito conseguiu o que, até então, parecia improvável, reduzir de forma significativa o bloco de oposição.

Dois nomes que figuravam como críticos frequentes da gestão anterior mudaram de posição. Eber Machado, agora no Republicanos, e Neném Almeida, do MDB, já declararam alinhamento com a nova gestão. Ambos eram considerados vozes incômodas para Bocalom e, agora, passam a integrar a base de apoio de Alysson.

O movimento não é trivial. Ele indica uma articulação política rápida e eficiente logo na largada do mandato, com impacto direto na governabilidade. Com as adesões, a oposição encolhe e passa a contar, neste momento, com apenas dois vereadores, André Kamai, do PT, e, por ora, Fábio Araújo, do MDB.

Fábio, inclusive, ainda mantém posição em aberto. Em entrevista ao ContilNet, afirmou que não definiu se seguirá o mesmo caminho do colega de partido. Uma eventual migração ampliaria ainda mais o isolamento da oposição.

A leitura entre aliados é de que Alysson começa o mandato com margem confortável para aprovar projetos e conduzir sua agenda sem maiores resistências no Legislativo.

O efeito dessa movimentação vai além do curto prazo. Ao consolidar uma base robusta já no início da gestão, o prefeito também se posiciona com vantagem para o médio prazo, inclusive mirando 2028. A expectativa entre interlocutores é de que o apoio na Câmara possa ultrapassar a marca de 80% dos vereadores.

Canetadas de Mailza pegam PP de surpresa

As primeiras canetadas da governadora Mailza Assis seguem repercutindo dentro do próprio Progressistas. As exonerações e nomeações feitas nesta semana, especialmente na Secretaria da Mulher, pegaram parte da sigla de surpresa.

Em poucos dias à frente do Palácio Rio Branco, Mailza promoveu uma reformulação ampla na estrutura do governo, com a troca de 12 secretários e diretores de áreas consideradas estratégicas.

A movimentação foi interpretada por integrantes do partido como um sinal claro de reorganização interna, mas também gerou reações diante da velocidade e do alcance das mudanças.

O vereador Samir Bestene, filho do novo secretário de Saúde José Bestene, afirmou à coluna que o momento é de reestruturação.

Ele também avaliou que as mudanças fazem parte do funcionamento do Executivo. “É natural que as mudanças do Executivo aconteçam, a reformulação vem acontecendo”, afirmou, acrescentando que há expectativa sobre os novos nomes. “A gente torce e espera muito que esses quadros novos façam um bom trabalho e levem um bom serviço a quem está na ponta, que é a população.”

Sobre a exoneração de Mardhia El-Shawwa, Samir disse que foi surpreendido. “Eu soube ontem isso através da imprensa, achei uma surpresa, porque muita gente sempre comentou o bom trabalho dela”, declarou.

Apesar disso, Samir ressaltou que a decisão cabe ao governo. “É uma decisão da governadora, a gente tem que respeitar”, disse, ao projetar a continuidade das políticas públicas. “Com certeza ela vai indicar um bom nome para fazer políticas públicas para as mulheres, até porque nós temos dados preocupantes e precisamos melhorar os resultados.”

Mailza acerta na largada, mas imprime seu próprio estilo de governo

Até aqui, a governadora Mailza Assis tem conseguido equilibrar técnica e política nas mudanças que promoveu no alto escalão do governo. Sem rupturas bruscas, mas também sem manter estruturas apenas por inércia, ela começa a desenhar uma gestão com marca própria.

Um dos movimentos mais bem recebidos foi a escolha da defensora pública Simone Santiago para a Secretaria da Mulher. O nome é visto como técnico, com reconhecimento na área e capacidade de atuação em um dos setores mais sensíveis do estado. A expectativa é de avanço em políticas públicas diante dos números preocupantes de violência contra mulheres no Acre.

Na Saúde, Mailza também fez um gesto político relevante ao nomear José Bestene. Liderança consolidada e com base eleitoral expressiva, ele retorna a uma pasta que já conhece, o que reduz curva de aprendizado e fortalece a relação do governo com um grupo político estratégico.

Mas é na Segurança Pública que as mudanças chamam mais atenção. A escolha do delegado Pedro Buzzolin para comandar a Polícia Civil é vista como um reconhecimento interno. Com passagem por delegacias consideradas centrais, ele assume o comando geral da instituição com respaldo técnico e histórico dentro da corporação.

No Instituto de Administração Penitenciária do Acre, a nomeação de Leandro Nascimento, ligado à representação sindical da categoria, tem um efeito direto, reduz tensões internas e encerra um problema institucional que se arrastava no órgão.

O conjunto das escolhas indica um padrão, Mailza busca equilibrar critérios técnicos com movimentos políticos calculados. Ao mesmo tempo em que valoriza quadros com experiência e conhecimento das áreas, também consolida apoios importantes dentro da base.

Sair da versão mobile