“Achei que minha filha estava morta”, diz mãe após tiroteio em escola

Segundo Sueli, tudo começou com um atraso de poucos minutos

Por Matheus Mello, ContilNet 06/05/2026 às 11:33

Durante o velório da professora Raquel, morta no ataque a tiros no Instituto São José, em Rio Branco, a dona de casa Sueli Galo, mãe de uma aluna da escola, descreveu em detalhes os momentos de tensão vividos no dia da tragédia. Emocionada, ela contou que foi uma das primeiras pessoas a chegar ao local logo após ouvir os disparos.

Segundo Sueli, tudo começou com um atraso de poucos minutos. Ela tinha uma reunião marcada na escola, mas chegou cerca de cinco minutos depois do previsto. Ao se aproximar, ouviu um barulho que, inicialmente, não identificou como tiros.

“Eu achei que estavam consertando o colégio. Quando percebi que era tiro, falei para o porteiro. Ele disse que não, mas eu insisti: é tiro”, relatou.

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Na sequência, ela correu para acionar a polícia e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Pouco depois, começou a ver alunos descendo em desespero pelas escadas.

“Desceu um aluno bem desesperado. Ele falou: ‘tia, a tia Zena está morta’. A tia Zena era a tia Raquel. Ele pediu para eu abraçar ele. Foi quando eu entrei em desespero”, contou.

Ainda do lado de fora, Sueli viu estudantes feridos deixando o prédio. Uma aluna, segundo ela, estava com um ferimento na coxa e a roupa rasgada. Ao mesmo tempo, mais crianças chegavam ao pátio em estado de choque.

Sem notícias da própria filha, o medo aumentava a cada minuto.

“Eu fiquei esperando a minha filha e comecei a gritar. A sala dela foi uma das que mais demorou a descer. Na minha cabeça, eu pensava: minha filha está morta, porque ela não vinha e ninguém falava nada”, disse.

Ela também relatou que, naquele momento, informações desencontradas ampliaram o pânico entre os pais.

“Tinha reportagem dizendo que tinha um monte de criança massacrada. Eu já sabia da professora, aí pensei: pronto, minha filha também”, afirmou.

Sueli contou que conhece o adolescente apontado como autor do ataque, ao menos de vista, por frequentar o ambiente escolar há anos com os filhos.

“Todo mundo se conhece ali. A gente vai em reunião, busca os filhos, acompanha. Não era um aluno invisível”, disse.

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Ao comentar o que poderia ser feito para evitar novos episódios de violência, a mãe defendeu maior atuação conjunta entre famílias, escola e poder público.

“Os professores estão muito abandonados. Quando dão um alerta, muitas vezes não tem resposta. O colégio não pode andar sozinho. Tem que unir forças, governo, secretaria de educação, pais”, afirmou.

Ela também chamou atenção para o papel das redes sociais e das dificuldades enfrentadas pelas famílias no acompanhamento dos filhos.

“A gente não consegue monitorar tudo. Eles dominam a tecnologia mais do que a gente. É uma coisa silenciosa, que está acontecendo sem que a gente perceba”, disse.

A fala de Sueli ocorreu em meio à comoção de familiares, amigos e colegas de trabalho da professora Raquel, cuja morte provocou forte repercussão e levantou discussões sobre segurança e convivência no ambiente escolar.

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