Neste Dia das Mães, a história de Maria Lucimar Bezerra emociona pela força, simplicidade e amor que dedicou à família durante toda a vida. Mãe de 12 filhos, mulher de fé e conhecida pela generosidade, dona Lucimar construiu uma trajetória marcada por dificuldades, perdas, coragem e dedicação aos filhos.
Natural de Ererê, no Ceará, mas com raízes fincadas no Acre, ela nasceu em 10 de novembro de 1945 e cresceu ao lado dos pais, Antônia Paula da Silva e Manoel Luiz de Oliveira, além dos seis irmãos. Desde pequena, aprendeu cedo o peso do trabalho duro. Ainda menina, ajudava os pais nas tarefas pesadas da rotina da família, chegando a carregar água na cabeça para auxiliar dentro de casa.
Aos 19 anos, conheceu Francisco Agábio Bezerra, homem que se tornaria seu único amor e companheiro de vida. Depois do casamento, dona Lucimar começou uma caminhada de muito esforço para ajudar no sustento da família. Conhecida pela disposição para trabalhar, produzia tapetes, artesanatos, refrescos e vendia frutas e verduras para garantir renda dentro de casa. Com o passar dos anos, viu a família crescer rapidamente.
A primeira filha, Maria de Lourdes, nasceu quando dona Lucimar tinha apenas 20 anos. Depois vieram Luciene, Lucineide e Lucinete. Mas a maternidade também trouxe uma das maiores dores da sua vida. Lucinete morreu ainda bebê, aos 9 meses, vítima de sarampo. Na época, todos os filhos contraíram a doença, e uma das meninas passou dias sem sequer conseguir abrir os olhos.

A família ainda viveu no interior de Anápolis antes de retornar para o Ceará, onde mais cinco filhos nasceram | Foto: Cedida
Diante do sofrimento, dona Lucimar fez uma promessa para Santa Luzia pedindo pela recuperação da filha. Ela prometeu que a menina participaria todos os anos da missa dedicada à santa e usaria a medalha de Santa Luzia. A promessa segue sendo cumprida pela família até hoje. Mesmo após a perda da filha, dona Lucimar não perdeu a fé. Pouco tempo depois, comemorou o nascimento do primeiro filho homem, José Sobrinho.
A família ainda viveu no interior de Anápolis antes de retornar para o Ceará, onde mais cinco filhos nasceram: Antônia Neta, Maria Lucélia, Antônio Francisco, Antônio Célio e Benta Paula. Enquanto o marido trabalhava fazendo fretes entre municípios vizinhos, dona Lucimar seguia encontrando maneiras de sustentar a casa. Os filhos mais velhos passaram a ajudá-la nas vendas de refrescos nos campos de futebol da comunidade aos domingos. Em 1981 e 1983, nasceram mais duas filhas: Antônia Aparecida e Antônia Luziene.
Mudança para o Acre
Um dos momentos mais marcantes da vida da família aconteceu em 1984. Com coragem e esperança de encontrar uma vida melhor, dona Lucimar deixou o Ceará rumo ao Acre. Na mudança, carregava consigo o marido e 11 filhos, a maioria ainda pequena, incluindo uma bebê de apenas seis meses.
A viagem representava um recomeço cheio de incertezas, mas ela nunca desistiu. Mesmo enfrentando dificuldades financeiras e os desafios de criar uma família tão grande, seguiu firme pelo sonho de oferecer melhores condições aos filhos.

Maria Lucimar e os netos | Foto: Cedida
Alfabetização e religião
Já no Acre, nasceu o caçula da família, Paulo Henrique. Além da força como mãe, dona Lucimar também ficou conhecida pela fé inabalável. Mesmo adulta, decidiu aprender a ler aos 50 anos para realizar um desejo simples, mas profundo: conseguir ler a Bíblia sozinha.

Maria Lucimar tinha participação ativa na igreja | Foto: Cedida
A religião passou a ocupar ainda mais espaço na sua vida. Participava ativamente da igreja, atuando como ministra da Eucaristia, ministra dos enfermos e integrante da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa. Sempre dedicada ao próximo, levava conforto espiritual para pessoas doentes, idosos e famílias que precisavam de apoio.
Em 2000, enfrentou outra grande dor: a morte do esposo, Francisco Agábio Bezerra.
Mesmo viúva, dona Lucimar continuou sustentando a família com dignidade, amor e muita fé. Segundo os familiares, ela nunca deixou faltar cuidado, união e carinho dentro de casa. Mais do que bens materiais, deixou uma herança construída no afeto, na perseverança e no exemplo.
Hoje, filhos, netos e bisnetos carregam as lembranças de uma mulher que transformou sofrimento em força e fez da maternidade sua maior missão de vida.



