Que Charles Chaplin revolucionou a sétima arte do cinema mudo, isso quase todo mundo sabe, mas talvez poucos conhecem uma versão diferente, mas tão bem humorada quanto o ícone da sétima arte. O acreano José Amilton Farias, de 69 anos, reinventou a forma de interpretar o personagem conhecido popularmente como “Chaplin da Amazônia”, ao realizar ações beneficentes há 36 anos.
Antes de se tornar símbolo de solidariedade, o “Chaplin da Amazônia” construiu sua vida profissional em diferentes setores. Em entrevista ao ContilNet, ele relembra saudosista que serviu à polícia por mais de quatro décadas.
Durante esse período, encontrou no volante uma segunda fonte de renda. Nos intervalos da rotina puxada de plantões, 24 horas de trabalho seguidas por 72 horas de folga, passou a atuar como taxista. “Era um extra nas horas de folga”, resume.
A origem do personagem “Chaplin da Amazônia”
Em 1990, quando menos esperava, aconteceria uma virada que mudaria completamente o rumo de sua vida, foi naquele ano que surgiu o contato com o trabalho voluntário inspirado pelo projeto “Doutores da Alegria”, idealizado pelo Doutor César Pisano, já falecido.
“Foi uma criação do Doutor César Pisano, que hoje está morando no céu”, ele me convidou para participar da iniciativa que buscava levar alegria aos pacientes acamados “, relembra, com respeito.
A partir dessa iniciativa, Amilton passou a integrar ações que percorriam diferentes locais levando alegria a pessoas enfermas e nesse contexto surgiu o personagem reinventado de uma forma nunca antes vista.
“Disseram: ‘tu parece com o Chaplin, então tu vai ser o Chaplin”, conta sorridente A semelhança não era por acaso, visto que Amilton já usava o característico bigode do personagem , o que facilitou ainda mais a associação com o astro do cinema mudo, Charlie Chaplin. Diante disso, ele preparou o figurino e desde então nunca mais deixou o bigode nem o papel que passou a representar.

Chaplin realizava atividades no interior, promovendo apresentações e interações que amenizavam a dor dos enfermos. Foto: cedida
Doutores da Alegria
Vestido como Chaplin, ele passou a visitar hospitais, levando momentos de descontração a pacientes internados, especialmente crianças. As ações iam além das unidades de saúde da capital.
Segundo ele, o grupo também realizava atividades no interior, promovendo apresentações e interações que amenizavam a dor e o ambiente hospitalar. Ao longo dos anos, o personagem se consolidou não apenas como uma figura artística, mas como um instrumento de empatia.

Além de atender crianças em enfermos Chaplin também realiza ações beneficientes a crianças mais carentes em vulnerabilidade social. Foto: cedida
Um legado que continuará
José se orgulha do legado que o “Chaplin da Amazônia” conquistou, sempre prezando pelo bem estar das pessoas e nunca com fins lucrativos e enfatiza que isso deve ser legado adiante
Entre os filhos, um em especial se prepara para assumir o personagem no futuro. “Desde criança, meus filhos disseram: ‘pai, nós vamos te ajudar’. O Cézar vai ficar no meu lugar. quando eu faltar, ele vai continuar a ser o Chaplin” revela.
Cézar, de 22 anos, está concluindo o curso de Direito e já acompanha de perto o trabalho do pai, se preparando para dar continuidade à missão de levar alegria a quem mais precisa. Enquanto os outros filhos também seguem caminhos profissionais já consolidados
Para José Amilton, a educação e os valores sempre foram prioridade. “Eu sempre ensinei eles a serem pessoas do bem”, afirma, orgulhoso.
Assim, entre fardas, corridas de táxi e visitas a hospitais, ternos e bigode, a história de José Amilton carrega a herança de solidariedade e inspiração, onde o riso segue como chave primordial da alegria e esperança.

