O Acre não registra casos confirmados de difteria desde 2015, mas a Secretaria de Estado de Saúde do Acre acendeu um alerta para o risco de reintrodução da doença no estado diante da queda na cobertura vacinal em todo o país.
As informações constam no novo boletim epidemiológico divulgado pela pasta nesta semana, que destaca que, apesar da baixa ocorrência da doença nos últimos anos, a difteria continua circulando no Brasil e pode voltar a atingir estados sem registros recentes.
Segundo o levantamento, entre 2014 e 2025, o Acre notificou nove casos suspeitos da doença. Destes, dois foram confirmados, ambos em Rio Branco, nos anos de 2014 e 2015. Os dois pacientes morreram.
O boletim aponta ainda que um dos casos ocorreu em uma pessoa não vacinada, enquanto no outro a situação vacinal era desconhecida.
Desde então, o estado não voltou a confirmar novos casos da doença. Ainda assim, a Sesacre afirma que o risco permanece devido às falhas na imunização e à circulação da bactéria em outras regiões do país.
Em 2025, o Brasil confirmou quatro casos de difteria, sendo três no Rio Grande do Sul e um no Paraná. Já em 2026, até o momento, foram registrados três casos, dois no Maranhão e um no Piauí.
A doença é considerada grave e potencialmente letal. Causada pela bactéria Corynebacterium diphtheriae, a difteria afeta principalmente as vias respiratórias e pode provocar complicações cardíacas e neurológicas.
De acordo com a Sesacre, a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção. O esquema vacinal inclui doses ainda na infância, além de reforços ao longo da vida.
O boletim também orienta os serviços de saúde a manterem vigilância ativa para identificação rápida de casos suspeitos, com notificação imediata, coleta de exames e adoção de medidas de bloqueio para evitar transmissão.
A secretaria destacou que a manutenção de altas coberturas vacinais é considerada essencial para impedir a volta da doença ao Acre.
O que é a difteria?
A difteria é uma doença infecciosa grave causada pela bactéria Corynebacterium diphtheriae. Ela atinge principalmente o nariz e a garganta, mas também pode afetar a pele. O maior risco está na toxina produzida pela bactéria, que pode causar danos ao coração, aos nervos e até levar à morte.
Os sintomas mais comuns são:
- dor de garganta intensa;
- febre;
- dificuldade para engolir;
- rouquidão;
- inchaço no pescoço;
- mal-estar;
- formação de placas acinzentadas na garganta e nas amígdalas, um dos sinais mais característicos da doença.
A transmissão acontece por gotículas expelidas ao falar, tossir ou espirrar, além do contato com secreções da pessoa infectada.
O tratamento precisa ser rápido e geralmente inclui:
- aplicação do soro antidiftérico, que neutraliza a toxina;
- uso de antibióticos, como penicilina ou eritromicina;
- isolamento do paciente para evitar transmissão;
- acompanhamento hospitalar em casos graves.
Mesmo após o tratamento, a pessoa deve atualizar a vacinação, porque ter difteria não garante imunidade permanente.
A principal forma de prevenção é a vacina, aplicada ainda na infância e reforçada ao longo da vida. No Brasil, ela faz parte do calendário do SUS e está incluída nas vacinas pentavalente e tríplice bacteriana (dT).
A doença já foi muito comum no passado, mas caiu drasticamente graças à vacinação. O problema é que a queda na cobertura vacinal aumenta o risco de reintrodução da doença.



