O ano de 2026 tem sido um dos mais desafiadores para os moradores de Cruzeiro do Sul quando o assunto é cheia. Em apenas quatro meses, o Rio Juruá ultrapassou a cota de transbordamento cinco vezes, provocando alagamentos, remoções de famílias e mobilização constante das equipes de emergência.
A sequência de elevações evidencia a força do inverno amazônico e a vulnerabilidade das áreas ribeirinhas e bairros mais baixos do município.
A primeira grande cheia do ano foi registrada em meados de janeiro. No dia 19, o Rio Juruá alcançou 13,40 metros, ultrapassando a cota de transbordamento, que é de 13 metros. Cerca de 4 mil pessoas foram afetadas em pelo menos 11 bairros. A partir daquele momento, a Defesa Civil passou a monitorar a situação de forma intensiva. 
Poucos dias depois, uma nova elevação levou a Prefeitura a decretar situação de emergência. Em 26 de janeiro, o município já contabilizava cerca de 1.650 famílias atingidas, o equivalente a aproximadamente 6.600 pessoas. Escolas foram preparadas para receber moradores em caso de remoção.
No início de março, o rio voltou a subir acima da cota de transbordamento, atingindo novamente bairros urbanos e comunidades rurais. Famílias precisaram deixar suas casas, enquanto abrigos foram reativados para acolher os desabrigados. A cheia reforçou o padrão de instabilidade observado ao longo do ano.
A quarta cheia ocorreu no começo de abril e foi uma das mais severas até então. Em 3 de abril, o Rio Juruá atingiu 14,10 metros, um dos maiores níveis do ano. Mais de 28 mil pessoas foram afetadas, totalizando 7.087 famílias em bairros urbanos, vilas e comunidades rurais. Muitas delas precisaram ser removidas para abrigos ou acolhidas por parentes.
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Quando a situação parecia se estabilizar, o rio voltou a transbordar em 26 de abril, marcando a quinta cheia de 2026. Inicialmente, o nível ficou em torno de 13,10 metros. Dois dias depois, em 28 de abril, já havia alcançado 13,75 metros, afetando mais de 3.700 pessoas em 19 bairros e localidades. 
Mesmo após uma breve vazante no dia 1º de maio, o Rio Juruá voltou a subir. Na manhã de 2 de maio, a régua marcou 14,19 metros, mantendo Cruzeiro do Sul em estado de alerta máximo e ampliando os impactos sobre as famílias ribeirinhas e urbanas.
Com cinco cheias em apenas um quadrimestre, 2026 já entra para a história como um dos anos mais críticos para o Vale do Juruá. O cenário reforça a necessidade de monitoramento contínuo, planejamento preventivo e ações rápidas para reduzir os impactos das enchentes sobre a população.