Uma força-tarefa coordenada pela presidente do Tribunal de Contas do Estado do Acre, Dulce Benício, esteve nesta semana no Seringal Remanso, na colocação Buenos Aires, dentro da Reserva Extrativista Chico Mendes, após moradores denunciarem anos de abandono e falta de serviços essenciais.
A comunidade, localizada a cerca de 74 quilômetros de Rio Branco, enfrenta dificuldades de acesso, principalmente durante o período chuvoso. Para chegar ao local, a equipe enfrentou mais de dez horas de viagem entre lama, atoleiros e trechos percorridos a pé.
“Seria fácil vir de helicóptero ou de outra forma. Mas, para nós, era importante percorrer o mesmo caminho que vocês percorrem. Precisávamos sentir a dificuldade que vocês enfrentam todos os dias”, informou Dulce Benício.
Participaram da ação representantes das áreas de educação e saúde, auditores do TCE-AC, além de equipes do Corpo de Bombeiros e do Grupo Especial de Operações em Fronteiras (Gefron).
Durante a visita, moradores relataram problemas históricos como ausência de atendimento médico, dificuldades no transporte, falta de energia e o fechamento da escola da comunidade há mais de duas décadas. Segundo as famílias, muitas crianças cresceram sem acesso regular à educação.
Mães também denunciaram a precariedade no atendimento de saúde e a falta de acompanhamento médico na região. De acordo com os relatos, gestantes e crianças enfrentam dificuldades até mesmo para receber atendimento básico e vacinação.
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Mesmo diante das limitações, os moradores mantêm atividades de produção de farinha, banana, feijão, castanha e borracha. No entanto, as condições do ramal impedem o transporte adequado da produção e aumentam o isolamento das famílias.

A comunidade, localizada a cerca de 74 quilômetros de Rio Branco, enfrenta dificuldades de acesso. Foto: Andreia Oliveira.
Após ouvir os moradores, os órgãos públicos assumiram alguns compromissos. Entre eles, o início das aulas ainda neste mês em um espaço provisório cedido pela comunidade e o envio periódico de equipes de saúde para atendimento na região.
A presidente do Tribunal de Contas do Estado do Acre também informou que deve intermediar, junto ao Deracre, medidas emergenciais para melhorar as condições de acesso ao ramal da comunidade.



