O mundo voltou os olhos para o mar nesta semana após a evacuação de emergência do cruzeiro MV Hondius devido a um surto de hantavírus. Com mortes confirmadas e passageiros sob vigilância em diversos países, a pergunta que ecoa nas redes sociais é inevitável: estamos diante do início de uma nova pandemia?
A resposta curta, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é não. Em coletiva realizada em Genebra, a agência reforçou que, embora a situação exija atenção, o risco epidêmico global permanece baixo. “Não é o começo de uma pandemia”, afirmou Maria Van Kerkhove, responsável pela prevenção de epidemias da organização.
O diferencial da Cepa Andes
O que causou preocupação inicial foi a identificação da cepa Andes no navio. Diferente de outros genótipos do hantavírus — que são transmitidos exclusivamente pelo contato com fezes, urina ou saliva de roedores infectados —, a variante Andes é a única conhecida que permite a transmissão de pessoa para pessoa.
No entanto, especialistas explicam que essa transmissão ocorre apenas em situações de contato muito íntimo e prolongado, o que limita drasticamente a velocidade de propagação do vírus em comparação com patógenos de transmissão aérea.
Riscos para o Brasil
O Ministério da Saúde brasileiro também se pronunciou, garantindo que o surto no cruzeiro não representa risco para o país. “Não há registro da circulação do genótipo Andes no Brasil. Nossos casos de hantavírus são provocados por outras variantes que não apresentam transmissão interpessoal”, diz a nota oficial.
Dados do Surto (até 11/05/2026):
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Casos registrados: 8 (5 confirmados e 3 suspeitos);
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Mortes confirmadas: 3 (um casal de holandeses e uma alemã);
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Pessoas em observação: Passageiros na Suíça, Alemanha, Holanda e África do Sul.
Origem e Prevenção
A origem do contágio a bordo ainda é um mistério. Sabe-se que o primeiro paciente apresentou sintomas logo após o embarque, o que sugere que a infecção ocorreu em terra firme, possivelmente durante passagens pela Argentina ou Chile, onde o vírus é endêmico.
Como não existe vacina nem tratamento específico para a doença, a prevenção continua sendo o melhor caminho. Ela consiste em evitar o contato com roedores silvestres e manter ambientes arejados em regiões rurais ou de mata.