A Justiça dos Estados Unidos determinou, na última quarta-feira (6), o pagamento de uma indenização milionária a Jeffrey Clark, que passou 22 anos e meio preso injustamente. O valor fixado é de US$ 24,35 milhões (aproximadamente R$ 120,44 milhões) como reparação pelos danos sofridos após uma condenação baseada em provas forjadas e teorias infundadas.
O “Assassinato Satânico” e a Condenação
O caso remonta a 1992, quando a jovem Rhonda Sue Warford, de 19 anos, foi encontrada morta em um campo no estado do Kentucky. Na época, a investigação ganhou repercussão nacional sob a alcunha de “assassinato satânico”, após a mãe da vítima sugerir que a filha tinha contatos com grupos ocultistas.
Jeffrey Clark e Keith Hardin foram condenados em 1995. A acusação sustentou a tese de rituais macabros utilizando objetos apreendidos e o testemunho de uma ex-namorada de Clark, que mentiu sobre ele possuir uma tatuagem de cruz invertida. Um detento também chegou a alegar uma confissão falsa feita por Jeffrey dentro da prisão.
Provas Forjadas e Reviravolta
A condenação começou a desmoronar em 2016, quando testes de DNA provaram que um fio de cabelo encontrado no corpo da vítima não pertencia a Keith Hardin, ao contrário do que afirmou a perícia original. Além disso, a defesa descobriu que o ex-legista Bill Adams usou corretivo líquido para alterar a data da morte nos documentos oficiais, uma manobra para invalidar o álibi apresentado por Clark.
Especialistas indicaram que a jovem provavelmente morreu entre os dias 4 e 5 de abril de 1992, datas em que o acusado não poderia estar no local do crime, desmentindo a versão da promotoria de que a morte ocorrera no dia 2.
Fim do Pesadelo
Atualmente em liberdade, Jeffrey Clark celebrou o resultado do processo civil movido contra as autoridades envolvidas. “Finalmente sinto que posso acordar de um pesadelo de 34 anos”, declarou o homem, que foi solto apenas quando já estava em meados dos 40 anos de idade.