A sessão desta terça-feira (12) deixou uma impressão difícil de ignorar na Câmara de Rio Branco: Joabe Lira já não enfrenta apenas críticas pontuais, mas uma ofensiva aberta de vereadores que decidiram expor publicamente o desgaste da presidência.
E o ataque mais pesado do dia atingiu justamente um dos pontos mais delicados da política interna da Casa: o controle das cadeiras.
Durante a sessão, o vereador Bruno Moraes afirmou que Joabe teria tentado retardar a posse de Hidelgard Pascoal, convocado para assumir a vaga deixada por João Paulo Silva, que foi para a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos.
Segundo Bruno, mesmo fora da capital, Joabe teria segurado o andamento da posse, apesar de a Câmara ter comando interino naquele momento.
“Ele inclusive protelou a posse. A gente ficou sabendo agora do vereador Hidelgard. Protelou a posse porque estava em viagem, como se não tivesse um presidente ativo na Casa”, disparou.
A fala caiu como gasolina num ambiente que já vinha inflamado desde as últimas semanas. A avaliação entre vereadores é que a presidência de Joabe entrou numa fase de desgaste acelerado, marcada por atritos internos, perda de controle político e uma sequência de exposições públicas raramente vistas no atual mandato.
O detalhe é que posse de suplente nunca é apenas um ato burocrático dentro da Câmara. Cada cadeira mexe diretamente no equilíbrio de forças, nos grupos internos e no nível de sustentação do presidente. Por isso, a acusação feita da tribuna ganhou peso imediato nos corredores da Casa.
Diga adeus a Mesa
Tudo isso praticamente enterrou qualquer perspectiva de Joabe Lira tentar construir uma reeleição para a presidência da Câmara de Rio Branco.
Depois de uma sequência de ataques públicos, interrupções e acusações feitas da própria tribuna, é inviável a permanência de Joabe no comando do Legislativo a partir da próxima composição da Mesa Diretora.
A avaliação é que o presidente perdeu aquilo que sustenta qualquer projeto interno na Câmara: base política.
As críticas deixaram de vir apenas da oposição e passaram a surgir de vereadores que antes orbitavam a presidência ou evitavam confronto direto.
Nos bastidores, a leitura é de que quem ainda conseguia segurar parte da sustentação de Joabe era o prefeito Tião Bocalom. Com Bocalom afastado da prefeitura, porém, a capacidade de articulação do grupo diminuiu fortemente.
Hoje, vereadores já avaliam que Joabe enfrenta dificuldades não apenas para tentar a reeleição, mas até mesmo para participar da montagem de uma chapa competitiva para a Mesa Diretora.
Joabe encurralado
A crise de Joabe Lira não começou agora dentro da Câmara. Ela já vinha sendo construída nos bastidores da política.
O presidente tentou deixar o União Brasil para se filiar ao PSDB de Tião Bocalom e disputar uma vaga na Aleac com mais chances. Não conseguiu.
O União não liberou a saída. Resultado: Joabe ficou amarrado ao partido e não pode se desfiliar sem correr risco de perder o mandato.
Para piorar, permaneceu numa chapa considerada uma das mais pesadas do estado, com cerca de 12 deputados de mandato brigando pelas vagas.
A diferença para Nicolau
Se quisesse um manual de sobrevivência política, Joabe Lira deveria observar mais o presidente da Aleac, Nicolau Júnior.
Nicolau construiu poder justamente no terreno em que Joabe hoje afunda: articulação política.
Na Aleac, Nicolau conversa com governo, oposição e independentes. Costura acordos, administra crises e dificilmente deixa pontas soltas.
Mas o principal não é só dialogar. É cumprir o que combina.
Na política, muita gente faz acordo. Poucos conseguem manter confiança suficiente para que os acordos continuem de pé depois. É aí que Nicolau consolidou força dentro da Assembleia.


