No mês passado, o ex-senador Jorge Viana causou polêmica ao de tomar, de supresa, o Podemos, partido que até então estava na base de Gladson e Mailza. Agora, o comando da sigla deve ser entregue ao empresário Murilo Leite, ligado ao grupo responsável pela rede Mercale.

Empresário Murilo Leite/Foto: Reprodução
A informação foi confirmada à coluna por uma fonte que participa das negociações e deve integrar a chapa do partido no estado.
Em paralelo, Viana deslocou o presidente da OAB no Acre, Rodrigo Aiache, para atuar na articulação política da legenda, nos bastidores. Aiache, que é genro do ex-senador, passou a integrar as conversas com lideranças e possíveis novos filiados.
O movimento ocorre após um esvaziamento da sigla no estado. O partido foi presidido pelo ex-deputado estadual Ney Amorim, que migrou para o MDB para disputar vaga na Câmara Federal. Mais recentemente, o comando estava com Madson Camelí, marido da governadora Mailza Assis.
A reorganização faz parte da estratégia de Viana para 2026, quando pretende disputar o Senado. Ele atua diretamente na reconstrução da sigla no Acre e na filiação de novos quadros.
Tomou o comando mas não é bem assim …
A tomada de controle do Podemos por Jorge Viana foi vista como um movimento preciso e inesperado.
Mas o cenário encontrado é bem menos favorável.
A sigla chega ao novo comando esvaziada, após a saída de quadros e perda de protagonismo nos últimos meses. O partido, que já foi liderado por nomes como Ney Amorim e mais recentemente por Madson Camelí, perdeu densidade política no estado.
Na prática, Viana assume o controle, mas também a tarefa de reconstrução.
O desafio imediato será atrair filiações, montar uma chapa competitiva e dar estrutura à legenda para 2026, ano em que ele próprio deve disputar o Senado.
Irmãos em lados opostos
Caso o empresário Murilo Leite confirme a ida para o comando do Podemos no estado, o movimento pode colocar em lados opostos dois irmãos de uma das famílias mais tradicionais do Acre.
Isso porque Ricardo Leite vem sendo citado como possível candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo senador Alan Rick ao governo do Estado.
Na prática, a configuração desenha um cenário em que Murilo, à frente de um partido em reconstrução sob influência de Jorge Viana, pode acabar em campo político diferente do irmão, caso as alianças se confirmem.
Seria mesmo impossível?
Se Murilo Leite e Ricardo Leite atuarem de forma coordenada, talvez a aposta seria em algo pouco comum na política acreana? Seria impossível aproximar o senador Alan Rick de Jorge Viana no mesmo campo eleitoral?
Hoje, Alan tem um nome definido para o Senado em sua chapa, o da ex-deputada federal Mara Rocha. Mas a eleição de 2026 prevê duas vagas, o que mantém aberto o espaço para novas composições.
Nesse contexto, a eventual entrada de Viana no mesmo arranjo político não é vista como impossível.
Alan, apesar de se declarar de direita e alinhado ao bolsonarismo, já transitou em outros campos. Em momentos anteriores, esteve próximo da Frente Popular durante os governos de Tião Viana.
A pergunta que começa a circular é se os irmãos Leite teriam força política suficiente para aproximar dois projetos que, até aqui, caminham em direções extremamente distintas.



