Ícone do site ContilNet Notícias

Mães que cuidam: a história de amor e renúncia de Nazira Nogueira

Por Juan Vinícius, ContilNet

Mães que cuidam: a história de amor e renúncia de Nazira Nogueira

Nazira Pereira Nogueira dedicou a vida a cuidar. Foto: Cedida.

Durante 42 anos, a professora aposentada Nazira Pereira Nogueira dedicou a vida a cuidar. Primeiro, dentro das salas de aula, alfabetizando crianças, ensinando jovens e adultos e trabalhando na educação infantil. Depois, dentro de casa, onde passou a viver uma missão ainda mais difícil: cuidar sozinha do filho acamado há seis anos.

Neste Dia das Mães, a história dela representa a realidade de milhares de mulheres que transformaram a maternidade em cuidado integral, renúncia e resistência diária.

Mãe de quatro filhos, Nazira sempre conciliou trabalho, estudos e a criação da família. “Eles cresceram me vendo trabalhar, estudar, cuidar da casa e deles. Fiz tudo dentro das minhas possibilidades”, lembra.

Netos

Nazira Pereira e seus netos. Foto: Cedida.

Mas foi com o filho mais novo, Cláudio, que sua vida mudou completamente. Ainda adolescente, ele entrou no mundo das drogas e passou anos enfrentando recaídas, agressões, acidentes e internações em casas de recuperação.

“Eu fui em praticamente todas as casas de recuperação de Rio Branco. Quando saía, passava um tempo bem, mas depois voltava para a rua”, conta.

Em 2020, durante a pandemia, Cláudio foi brutalmente espancado por um grupo de pessoas em Porto Velho e abandonado às margens de uma estrada. Ele sobreviveu, mas ficou com graves sequelas. Após quatro meses internado, recebeu alta sem conseguir andar, falar ou realizar qualquer atividade sozinho.

Desde então, Nazira assumiu integralmente os cuidados do filho.

“Minha vida resumiu a cuidar dele. É dar banho, trocar, alimentar, virar durante a noite, lavar roupa, lavar lençol. Eu praticamente não durmo mais”, relata.

Nazira

Nazira e Claúdio. Foto: Cedida.

Hoje, aos 74 anos, ela vive em função da rotina do filho. O quarto onde ele permanece acamado possui câmeras para que ela consiga monitorá-lo mesmo enquanto cozinha ou resolve pequenas tarefas dentro de casa.

Além da sobrecarga emocional e física, Nazira também enfrenta problemas de saúde. Após anos de desgaste, desenvolveu um câncer no fígado e precisou se mudar para Porto Velho para continuar o tratamento. Sem ter com quem deixar o filho, levou Cláudio junto.

Mesmo com auxílio parcial do poder público, os gastos seguem altos. Fraldas, remédios e cuidadores temporários consomem grande parte da aposentadoria. Ainda assim, Nazira segue firme.

“Precisa de muita fé para continuar. Eu faço isso por amor e porque ele é um ser humano. Enquanto Deus me der força, eu vou cuidar dele”, completou.

Ao refletir sobre a própria trajetória marcada por cuidado, renúncia e amor incondicional, Nazira revela que não deseja ser lembrada por títulos, profissão ou conquistas materiais. Para ela, a maior definição da sua vida sempre foi a maternidade.

mãos

Nazira Pereira. Foto: Cedida.

“Eu só quero ser lembrada como a mãe que daria tudo nesta vida por qualquer um dos meus filhos. Tudo. Até a própria vida, se fosse possível. Só quero ser lembrada como mãe. Mãe em tempo integral, mãe sem pensar duas vezes. Eu sou simplesmente mãe. Sempre disse isso: eu vou atrás dos meus filhos onde for preciso, do jeito que tiver que ser. Vou lutar até o último dia. Só quero ser lembrada como mãe. Só isso.”

Histórias como a de Nazira revelam um lado muitas vezes invisível da maternidade: o das mães cuidadoras, que dedicam a própria vida para garantir dignidade, atenção e amor aos filhos, mesmo em meio ao cansaço e às dificuldades.

Sair da versão mobile