Em meio à floresta amazônica do Acre, o povo indígena Noke Koî mantém viva uma tradição ancestral que, para eles, está diretamente ligada à proteção da natureza: o kambô. Conhecida popularmente como “vacina do sapo”, a medicina tradicional representa muito mais do que cura física e é vista pelos indígenas como símbolo de espiritualidade, força e preservação da floresta.
Na aldeia Sumaúma, em Cruzeiro do Sul, o kambô segue sendo transmitido entre gerações como um conhecimento sagrado deixado pelos ancestrais. A prática utiliza a secreção de uma rã amazônica aplicada na pele em pequenos pontos queimados, sempre conduzida por pajés e curandeiros preparados espiritualmente.
Para o cacique Mõcha Noke Koî, preservar o kambô significa também proteger a Amazônia e os saberes tradicionais dos povos da floresta.
“Não é só o kambô. Preservar o kambô é preservar a Amazônia, preservar as plantas, a vida e o planeta”, afirma.
Segundo ele, o animal vive próximo às aldeias justamente porque existe uma relação de respeito e equilíbrio entre os indígenas e a natureza. A retirada da secreção é feita sem causar danos ao sapo, reforçando a conexão sustentável mantida pelo povo com a biodiversidade amazônica.
Os indígenas também alertam para o uso inadequado da medicina fora dos territórios tradicionais. Com a popularização do kambô em diferentes partes do mundo, lideranças indígenas defendem que a prática exige preparo espiritual, conhecimento ancestral e respeito às tradições.
Além do fortalecimento físico, o kambô é utilizado pelos Noke Koî como proteção espiritual, limpeza energética e fortalecimento emocional. Entre os ensinamentos tradicionais, a medicina acompanha homens, mulheres e crianças desde cedo dentro da cultura indígena.
A secretária extraordinária dos Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara, destaca que o kambô integra um conjunto de saberes ancestrais que existem muito antes da medicina farmacêutica chegar às aldeias.
Em um estado onde mais de 80% da floresta nativa permanece preservada, os conhecimentos indígenas continuam sendo apontados como fundamentais para manter a floresta em pé. Entre os Noke Koî, tradição, espiritualidade e preservação ambiental caminham juntas.
Com informações da Agência de Notícias do Acre


