A governadora Mailza Assis parece ter entendido que campanha nĂŁo se vence apenas com agenda institucional, entrega de obras e discursos tĂ©cnicos. PolĂtica tambĂ©m exige comando, narrativa, identidade e gente com capacidade de mobilização. E foi justamente isso que começou a aparecer com mais clareza no almoço realizado no AFA Jardim, nesta segunda-feira (10).
AtĂ© pouco tempo, a prĂ©-campanha governista parecia um ambiente desorganizado, sem sintonia e com dificuldades atĂ© para estabelecer uma comunicação clara com sua prĂłpria base. Havia muito ruĂdo, muitos interlocutores falando ao mesmo tempo e pouca objetividade. Em alguns momentos, o governo parecia viver uma verdadeira Torre de Babel polĂtica, onde ninguĂ©m entendia exatamente quem mandava, quem articulava e qual seria o rumo eleitoral do grupo.
Mas o cenário começou a mudar.
A entrada mais firme de nomes experientes na engrenagem polĂtica devolveu ânimo a setores que já demonstravam desconfiança e cansaço. A presença de figuras como Aberson Carvalho, Jhonatan Donadoni, Luis Calixto, Correinha, LĂvio Veras e outros operadores histĂłricos ligados Ă s vitĂłrias do ex-governador Gladson Cameli deu um novo tom ao ambiente polĂtico do Palácio Rio Branco.
E nĂŁo se trata de qualquer grupo.
SĂŁo personagens que participaram diretamente de campanhas vitoriosas no Acre, conhecedores da linguagem eleitoral, das articulações de bastidores e da construção de alianças que fizeram Gladson atravessar eleições sem derrotas. A simples apresentação desse nĂşcleo já foi suficiente para levantar o moral de muita gente que andava desanimada, borocoxĂ´ e insegura sobre o futuro polĂtico do governo.
Agora, o discurso nos bastidores é outro. Já tem gente falando em guerra eleitoral, retomada de espaços e reorganização da tropa governista para 2026.
Mailza tambĂ©m parece começar a corrigir erros cometidos nos primeiros dias de gestĂŁo. O inĂcio do governo foi marcado por atritos internos, ruĂdos administrativos e dificuldades de relacionamento polĂtico. Houve desencontros com parlamentares, lideranças regionais e aliados que esperavam maior proximidade da chefe do Executivo.
Nos Ăşltimos meses, porĂ©m, a governadora vem demonstrando esforço para reconstruir pontes e reduzir desgastes. As viagens ao interior ajudaram a aproximar o governo da população e deram mais visibilidade Ă sua presença polĂtica fora da capital. Esse movimento precisa continuar.
Mas ainda existem arestas perigosas.
A relação com setores da Assembleia Legislativa exige mais atenção e diálogo permanente. Algumas lideranças importantes ainda reclamam da dificuldade de acesso ao governo e da ausĂŞncia de conversas mais francas sobre o futuro polĂtico do grupo.
Além disso, Mailza precisará redobrar os cuidados com uma figura muito comum em governos: os “articuladores de ocasião”. São aqueles personagens que aparecem oferecendo pontes, conciliações e soluções mágicas, mas que, na prática, muitas vezes trabalham apenas para fortalecer seus próprios interesses.
Na polĂtica, os mais perigosos raramente sĂŁo os adversários declarados. Os maiores riscos costumam surgir justamente dos sorrisos fáceis, dos elogios exagerados e dos afagos convenientes.
ExperiĂŞncia para identificar esse tipo de armadilha, a governadora tem de sobra. A dĂşvida Ă© saber se conseguirá manter o radar ligado enquanto o ambiente polĂtico volta a ficar aquecido e os interesses começam a se movimentar ao redor do poder.


