O governo Mailza começou a entender a guerra política

Mailza também parece começar a corrigir erros cometidos nos primeiros dias de gestão

Por Wania Pinheiro, ContilNet 12/05/2026 Ă s 14:24

A governadora Mailza Assis parece ter entendido que campanha não se vence apenas com agenda institucional, entrega de obras e discursos técnicos. Política também exige comando, narrativa, identidade e gente com capacidade de mobilização. E foi justamente isso que começou a aparecer com mais clareza no almoço realizado no AFA Jardim, nesta segunda-feira (10).

Até pouco tempo, a pré-campanha governista parecia um ambiente desorganizado, sem sintonia e com dificuldades até para estabelecer uma comunicação clara com sua própria base. Havia muito ruído, muitos interlocutores falando ao mesmo tempo e pouca objetividade. Em alguns momentos, o governo parecia viver uma verdadeira Torre de Babel política, onde ninguém entendia exatamente quem mandava, quem articulava e qual seria o rumo eleitoral do grupo.

Mas o cenário começou a mudar.

A entrada mais firme de nomes experientes na engrenagem política devolveu ânimo a setores que já demonstravam desconfiança e cansaço. A presença de figuras como Aberson Carvalho, Jhonatan Donadoni, Luis Calixto, Correinha, Lívio Veras e outros operadores históricos ligados às vitórias do ex-governador Gladson Cameli deu um novo tom ao ambiente político do Palácio Rio Branco.

E nĂŁo se trata de qualquer grupo.

São personagens que participaram diretamente de campanhas vitoriosas no Acre, conhecedores da linguagem eleitoral, das articulações de bastidores e da construção de alianças que fizeram Gladson atravessar eleições sem derrotas. A simples apresentação desse núcleo já foi suficiente para levantar o moral de muita gente que andava desanimada, borocoxô e insegura sobre o futuro político do governo.

Agora, o discurso nos bastidores é outro. Já tem gente falando em guerra eleitoral, retomada de espaços e reorganização da tropa governista para 2026.

Mailza também parece começar a corrigir erros cometidos nos primeiros dias de gestão. O início do governo foi marcado por atritos internos, ruídos administrativos e dificuldades de relacionamento político. Houve desencontros com parlamentares, lideranças regionais e aliados que esperavam maior proximidade da chefe do Executivo.

Nos últimos meses, porém, a governadora vem demonstrando esforço para reconstruir pontes e reduzir desgastes. As viagens ao interior ajudaram a aproximar o governo da população e deram mais visibilidade à sua presença política fora da capital. Esse movimento precisa continuar.

Mas ainda existem arestas perigosas.

A relação com setores da Assembleia Legislativa exige mais atenção e diálogo permanente. Algumas lideranças importantes ainda reclamam da dificuldade de acesso ao governo e da ausência de conversas mais francas sobre o futuro político do grupo.

Além disso, Mailza precisará redobrar os cuidados com uma figura muito comum em governos: os “articuladores de ocasião”. São aqueles personagens que aparecem oferecendo pontes, conciliações e soluções mágicas, mas que, na prática, muitas vezes trabalham apenas para fortalecer seus próprios interesses.

Na política, os mais perigosos raramente são os adversários declarados. Os maiores riscos costumam surgir justamente dos sorrisos fáceis, dos elogios exagerados e dos afagos convenientes.

Experiência para identificar esse tipo de armadilha, a governadora tem de sobra. A dúvida é saber se conseguirá manter o radar ligado enquanto o ambiente político volta a ficar aquecido e os interesses começam a se movimentar ao redor do poder.

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