ONU Mulheres revela avanço da violĂȘncia online contra jornalistas

Por FlĂĄvia Albuquerque - RepĂłrter da AgĂȘncia Brasil 01/05/2026 Ă s 18:00

RelatĂłrio lançado por ONU Mulheres, TheNerve e parceiros indica que 12% das mulheres defensoras de direitos humanos, ativistas, jornalistas, trabalhadoras da mĂ­dia e outras comunicadoras pĂșblicas relataram ter vivenciado o compartilhamento nĂŁo consensual de imagens pessoais, incluindo conteĂșdo Ă­ntimo ou sexual.

Segundo o documento Ponto de Virada: ViolĂȘncia Online, Impactos, ManifestaçÔes e Reparação na Era da IA, 6% das entrevistadas disseram ter sido vĂ­timas de deepfakes, enquanto quase uma em cada trĂȘs recebeu investidas sexuais nĂŁo solicitadas por meio de mensagens digitais.

NotĂ­cias relacionadas:Liberdade de imprensa estĂĄ em queda nas democracias, alerta RSF.InstituiçÔes repudiam agressĂŁo Ă  repĂłrter HeloĂ­sa Vilella na CĂąmara.Segundo o relatĂłrio, 41% de todas as mulheres que responderam disseram que se autocensuram nas redes sociais para evitar abusos, enquanto 19% relataram autocensura em seu trabalho profissional como resultado da violĂȘncia online. Entre mulheres jornalistas e trabalhadoras da mĂ­dia, 45% relatou autocensura nas redes sociais em 2025, um aumento de 50% desde 2020, e quase 22% relataram autocensura em seu trabalho.

“Esse tipo de abuso Ă© frequentemente deliberado e coordenado, desenhado para silenciar mulheres na vida pĂșblica ao mesmo tempo em que mina sua credibilidade profissional e sua reputação pessoal. Outras tendĂȘncias relevantes apontam para um aumento de açÔes legais e de denĂșncias Ă s forças de segurança entre mulheres jornalistas e trabalhadoras da mĂ­dia”, dizem organizadores do estudo. 

De acordo com os dados, em 2025, 22% das mulheres jornalistas e trabalhadoras da mĂ­dia tinham a probabilidade de denunciar incidentes de violĂȘncia online Ă  polĂ­cia. O percentual Ă© o dobro do Ă­ndice registrado em 2020 (11%).

Quase 14% agora estão tomando medidas legais contra perpetradores, facilitadores ou seus empregadores, acima dos 8% registrados em 2020, refletindo maior conscientização e uma pressão mais forte por responsabilização.

O relatĂłrio revela ainda que o impacto da violĂȘncia na saĂșde e bem-estar das mulheres levou (24,7%) das mulheres jornalistas e trabalhadoras da mĂ­dia entrevistadas a serem diagnosticadas com ansiedade ou depressĂŁo relacionada Ă  violĂȘncia online que vivenciaram, e quase 13% relataram diagnĂłstico de transtorno de estresse pĂłs-traumĂĄtico (TEPT).

A chefe da Seção de Enfrentamento Ă  ViolĂȘncia contra as Mulheres da ONU Mulheres, Kalliopi Mingerou, destacou que a IA estĂĄ tornando o abuso mais fĂĄcil e mais danoso.

“Isso estĂĄ alimentando a erosĂŁo de direitos duramente conquistados em um contexto marcado pelo retrocesso democrĂĄtico e pela misoginia em rede. Nossa responsabilidade Ă© garantir que sistemas, leis e plataformas respondam com a urgĂȘncia que essa crise exige”, afirmou.

Outro ponto abordado pela ONU Mulheres Ă© o fato de que ainda hĂĄ falhas na proteção legal contra a violĂȘncia online, jĂĄ que menos de 40% dos paĂ­ses tĂȘm leis em vigor para proteger mulheres contra assĂ©dio virtual ou perseguição virtual, de acordo com dados do Banco Mundial, publicados no ano passado.

Em todo o mundo 1,8 bilhão de mulheres e meninas continuam sem acesso à proteção legal em todo o mundo, o que corresponde a 44%.


ConteĂșdo reproduzido originalmente em: Agencia Brasil por FlĂĄvia Albuquerque – RepĂłrter da AgĂȘncia Brasil

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