O ex-governador de Minas Gerais e prĂ©-candidato Ă PresidĂŞncia, Romeu Zema (Novo), tornou-se o centro de uma tempestade polĂtica dentro do campo da direita. Desde a noite desta quarta-feira (13), Zema enfrenta uma ofensiva coordenada de polĂticos e militantes bolsonaristas apĂłs classificar como “imperdoável” e um “tapa na cara” a conduta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no episĂłdio envolvendo o Banco Master.
O estopim da crise foi a reação de Zema ao vazamento de áudios em que o filho “01” do ex-presidente Jair Bolsonaro cobra repasses milionários ao banqueiro Daniel Vorcaro. Diferente de outros aliados que optaram pelo silĂŞncio ou pela defesa tĂ©cnica, o mineiro, que baseia seu discurso na moralidade administrativa, decidiu marcar posição contra o aliado.
A resposta do nĂşcleo duro do bolsonarismo foi imediata. O senador RogĂ©rio Marinho (PL-RN), lĂder da Oposição no Senado, acusou Zema de “oportunismo”, sugerindo que o mineiro estaria tentando se descolar da imagem do clĂŁ Bolsonaro para angariar votos de centro. Já o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) subiu o tom, classificando a atitude do ex-governador como “vil”.
Zema, contudo, nĂŁo recuou. Em suas redes sociais, rebateu as crĂticas com uma Ăşnica palavra: “CoerĂŞncia”. Em postagem posterior, foi ainda mais enfático ao lidar com o isolamento dentro do bloco: “Pra quem nĂŁo sabe diferenciar oportunismo de coerĂŞncia: o problema Ă© seu”.
A crise interna ameaça a viabilidade de uma chapa unificada da direita para 2026. Em um vĂdeo publicado tambĂ©m na noite de quarta, Zema sugeriu que nĂŁo está disposto a fazer concessões Ă©ticas em nome da Realpolitik. “Se for pra ser mais um do mesmo, saio agora e desisto da minha prĂ©-candidatura”, afirmou o polĂtico do Novo.
Interlocutores do partido avaliam que o movimento de Zema Ă© uma tentativa de consolidar-se como a face “limpa” e tĂ©cnica da direita, em oposição aos escândalos que voltam a cercar a famĂlia Bolsonaro. No entanto, o risco Ă© o isolamento partidário, já que o PL detĂ©m a maior fatia do fundo eleitoral e do tempo de TV, recursos considerados essenciais para qualquer projeto presidencial competitivo.



