Em uma reviravolta doutrinária que marca o pontificado de Leão XIV, o Vaticano condena cura gay e prega inclusão em um novo relatório oficial divulgado nesta terça-feira (5/5). O documento, fruto de um grupo de trabalho do Sínodo dos Bispos, quebra silêncios seculares ao criticar abertamente as “terapias de conversão” e admitir que a própria Igreja Católica contribuiu para o estigma enfrentado pela comunidade LGBTQIA+.
O relatório “Critérios teológicos e metodologias sinodais” fundamenta-se em relatos reais de fiéis, humanizando o debate e distanciando-se de termos estritamente teóricos que marcaram comunicados anteriores da Santa Sé.
“Sexualidade é um presente de Deus”, diz relatório
Pela primeira vez, a cúpula da Igreja utiliza depoimentos diretos para balizar suas diretrizes. Um dos relatos mais impactantes presentes no texto define a orientação sexual não como uma perversão, mas como uma característica divina.
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Empatia e Justiça: O depoimento destaca que ser homossexual torna o fiel “mais atento e apaixonado por justiça”.
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Fim da Vida Dupla: O Vaticano reconhece que a pressão eclesiástica muitas vezes empurrou fiéis para uma “vida dupla” baseada na angústia e no medo.
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Crítica à Ideologia: O texto alerta contra a redução de pessoas transgênero a meras discussões de “ideologia”, pedindo um olhar mais pastoral e menos combativo.
Com informações do Correio Braziliense;
O combate às terapias de conversão
O novo documento é incisivo ao apontar que práticas de “cura” são ofensivas e teologicamente infundadas. Um dos fiéis relatou que, no passado, foi aconselhado a casar-se com uma mulher para esconder sua sexualidade — prática agora denunciada pelo Sínodo como um pecado contra a integridade do próximo.
“Jesus nos quer íntegros, não quebrados ou escondidos”, afirma um dos trechos mais compartilhados do relatório, que ecoa a continuidade das reformas iniciadas pelo Papa Francisco e agora solidificadas por Leão XIV.
Reação dos fiéis e novos paradigmas
A recepção no Brasil, maior nação católica do planeta, foi imediata. Grupos de defesa dos direitos LGBTQIA+ dentro da Igreja celebraram o documento como um marco de sobrevivência e acolhimento. Por outro lado, setores conservadores demonstram preocupação com o que chamam de “afrouxamento da doutrina”.
O avanço soma-se à decisão de 2025, que permitiu a ordenação de padres gays celibatários, e à permissão de bênçãos para casais do mesmo sexo, estabelecendo o ano de 2026 como o período de maior abertura na história da Igreja moderna.