Um levantamento detalhado da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), realizado entre os anos de 2019 e 2025, revela um cenário alarmante sobre a segurança infantil no estado. De acordo com o Boletim Epidemiológico n° 01/2026, a violência sexual consolidou-se como a forma mais comum de agressão contra crianças na faixa etária de 0 a 9 anos, representando 43,4% do total de notificações registradas para esse público.
Em termos quantitativos, o Acre contabilizou um total de 15.687 notificações de violência (interpessoal e autoprovocada) ao longo da série histórica analisada. O número de registros vem em uma crescente, atingindo seu pico em 2025, com 3.010 casos reportados. Dentro desse universo, estima-se que as ocorrências contra crianças de até 9 anos totalizem cerca de 815 casos, dos quais aproximadamente 354 referem-se especificamente a crimes de natureza sexual.
Os números mostram que a vulnerabilidade dos pequenos é acentuada por outros tipos de abusos, como a violência física, que aparece em 26,6% dos registros, seguida pela violência psicológica ou moral, com 9,6% das ocorrências. Além disso, casos de negligência e abandono respondem por 9,1% das fichas de notificação.
O perigo dentro de casa
O documento traz um dado ainda mais sensível sobre o perfil dos agressores: a maior parte das violências ocorre no ambiente doméstico. No recorte sobre o provável autor da agressão contra crianças, o pai aparece no topo da lista, sendo responsável por 21,1% dos casos notificados. Amigos e conhecidos representam 18,1% das ocorrências, enquanto a mãe é identificada como autora em 16,7% dos registros. Padrastos aparecem em 10,6% das notificações.
Essa predominância de agressores com vínculos familiares diretos evidencia a necessidade urgente de fortalecer a rede de proteção infantil e os mecanismos de denúncia. A Sesacre reforça que a notificação de violência contra crianças e adolescentes é uma exigência legal, fundamental para que esses casos saiam da invisibilidade e para que políticas públicas de cuidado integral sejam formuladas.
Rede de proteção e providências
Ao identificar uma suspeita ou confirmação de violência, os serviços de saúde devem acionar imediatamente órgãos como o Conselho Tutelar e o Ministério Público.
Dependendo da gravidade e do tipo de agressão, como no caso da violência sexual, o encaminhamento para escuta especializada e o registro de boletim de ocorrência junto à polícia são passos cruciais para garantir a proteção da vítima e a responsabilização criminal do autor.
A equipe técnica da Sesacre ressalta, ainda, que os dados apresentados podem sofrer variações devido a subnotificações ou inconsistências no preenchimento das fichas oficiais.



