Em formato de mesa-redonda, o programa reuniu três convidadas com experiências complementares e visões sensíveis sobre o tema: a neuropsicóloga Tatiana Braga, a coordenadora pedagógica Elandia Rodrigues e a estudante Letícia Aielo. Juntas, elas promoveram um diálogo profundo sobre os impactos emocionais da violência, do bullying, da pressão social e da sobrecarga vivida por jovens, famílias e profissionais da educação.
Ao conduzir o encontro, Irineia Barbosa destacou que o momento exigia mais do que informação. Era necessário criar um espaço de escuta, reflexão e acolhimento para toda a comunidade escolar.
“Quando uma tragédia atinge uma escola, ela nos convida a olhar com mais atenção para aquilo que muitas vezes permanece em silêncio. Cuidar da saúde mental dos adolescentes é proteger vidas, fortalecer vínculos e construir um futuro mais seguro para todos”, afirmou a apresentadora.
Tatiana Braga ressaltou que a escola é muito mais do que um ambiente de aprendizagem. É um espaço de convivência, formação de laços e desenvolvimento emocional. Segundo a neuropsicóloga, eventos violentos provocam sentimentos de impotência e reforçam a necessidade de a sociedade tratar a saúde mental como prioridade.
Especialista em avaliação e reabilitação neuropsicológica, Tatiana explicou que a adolescência é uma fase decisiva do desenvolvimento cerebral. O córtex pré-frontal, responsável pelo controle dos impulsos, planejamento e regulação emocional, só conclui sua maturação por volta dos 25 anos.
“Estamos falando de uma etapa marcada por intensas mudanças biológicas, hormonais e emocionais. Por isso, o adolescente precisa de paciência, escuta e apoio constante”, destacou.
A especialista também alertou que o bullying e o cyberbullying representam fatores de risco importantes para o desenvolvimento de transtornos como ansiedade, depressão e isolamento social.
Na perspectiva pedagógica, Elandia Rodrigues reforçou que a escola não substitui a família, mas atua como sua extensão no processo educativo. Para ela, o vínculo familiar é insubstituível e desempenha papel fundamental na identificação de sinais de sofrimento emocional.
Elandia destacou que comportamentos agressivos, sejam físicos ou verbais, muitas vezes são pedidos de socorro que precisam ser acolhidos com escuta e sensibilidade.
“Quando o adolescente encontra um ambiente seguro, ele não precisa esconder o que sente. Ele se sente respeitado, ouvido e amparado”, afirmou.
A educadora também chamou atenção para a chamada “sociedade do cansaço”, marcada por excesso de demandas, pouco tempo de convivência e dificuldade em estabelecer limites e rotinas, fatores que impactam diretamente a disciplina e o bem-estar dos jovens.
Representando a perspectiva dos próprios adolescentes, Letícia Aielo trouxe reflexões sobre a pressão por aceitação, o medo do julgamento e a influência das redes sociais.
Segundo ela, muitos jovens medem cuidadosamente cada palavra e comportamento para evitar críticas, humilhações e a chamada “zoação”, o que gera insegurança e desgaste emocional.
Letícia destacou ainda que os adolescentes precisam de tempo ocioso para organizar pensamentos, compreender emoções e aliviar a pressão de agendas excessivamente carregadas.
“As redes sociais podem ser tanto um refúgio quanto uma fonte de comparação e ansiedade. Por isso, é fundamental que os jovens encontrem espaços seguros para serem quem realmente são”, observou.
Entre as principais orientações compartilhadas pelas convidadas, esteve a valorização da “presença no simples”. Atitudes cotidianas como tomar café juntos, caminhar, conversar sem distrações e dedicar atenção genuína podem fortalecer vínculos e funcionar como importantes fatores de proteção emocional.
Outro ponto destacado foi o poder do exemplo. Pais e educadores influenciam mais pelo comportamento do que pelos discursos, especialmente na forma como lidam com o uso das telas, com a ansiedade e com os próprios limites.
Durante a mesa-redonda, foram abordados temas como:
- Impactos emocionais de eventos violentos no ambiente escolar;
- Bullying e cyberbullying;
- Saúde mental dos adolescentes;
- Relação entre família e escola;
- Desenvolvimento do cérebro na adolescência;
- Pressão social e medo do julgamento;
- Tempo ocioso e equilíbrio emocional;
- Saúde mental dos educadores;
- Estratégias práticas de prevenção e acolhimento.
Ao final do episódio, as participantes fizeram um apelo para que pais, professores e toda a sociedade olhem para os adolescentes com mais empatia e menos julgamentos, reconhecendo que essa fase da vida é marcada por incertezas, vulnerabilidades e intensas transformações.
O episódio está disponível nas plataformas digitais e no Youtube:
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