Uma sequĂȘncia de frentes frias que devem avançar pelo Sul do Brasil nos prĂłximos dias surge como esperança para quebrar o bloqueio atmosfĂ©rico que atua no paĂs desde o dia 22 de abril.

Moradora de casa alagada pelas enchentes em Eldorado do Sul, no Rio Grande do Sul, recebe doaçÔes no dia 8 de maio de 2024 â Foto: Amanda Perobelli/Reuters
đĄïž Esse sistema Ă© o responsĂĄvel pela onda de calor que vem mantendo as temperaturas elevadas no Sudeste e no Centro-Oeste e um dos fatores que contribui para as chuvas constantes no Rio Grande do Sul. (veja mais detalhes abaixo)
Nesta quinta-feira (9), o ar frio polar que veio com a frente fria vai baixar as temperaturas no Rio Grande do Sul. Segundo a Climatempo, ĂĄreas do sul gaĂșcho podem registrar mĂnimas abaixo dos 10°C.
đĄO Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta de “perigo potencial” por conta do declĂnio da temperatura esperado para boa parte do estado. Nas regiĂ”es sob o aviso meteorolĂłgico, os termĂŽmetros podem registrar queda de atĂ© 5ÂșC.
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Boa parte do estado deve enfrentar queda nas temperaturas nesta quinta-feira (9). â Foto: Inmet
Alerta para chuvas nos prĂłximos dias
Com o avanço da frente fria, a chuva deve se concentrar na faixa norte do estado nesta quinta, na divisão com Santa Catarina. A previsão é de tempo frio e seco no sul do Rio Grande do Sul.
đ§ïž O avanço desta nova frente fria Ă© consequĂȘncia de um ciclone extratropical formado prĂłximo Ă costa da Argentina.
Apesar dos volumes menores esperados para esta quinta, a situação tende a mudar nos prĂłximos dias, com previsĂŁo de chuva fortes a partir de sexta-feira (10). Segundo o Inmet, no fim de semana, os volumes podem passar de 100 milĂmetros, atingindo principalmente o centro-norte e o leste gaĂșcho.
Vai chover nas bacias que desaguam no GuaĂba?
FĂĄbio Luengo, meteorologista da Climatempo, destaca que, como aconteceu nos Ășltimos dias, as bacias que desaguam no GuaĂba devem seguir sendo as mais afetadas pelas chuvas nos prĂłximos dias.
“Desta quinta atĂ© segunda, essas regiĂ”es devem ser as que vĂŁo receber o maior volume de chuva. Deve seguir chovendo bastante no Vale do Taquari, por exemplo”, projeta.
đš Com o solo jĂĄ encharcado e o alto nĂvel das bacias na regiĂŁo, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres (Cemaden) e a Defesa Civil mantĂȘm os alertas de riscos para enchentes no estado.
Ventos vĂŁo atrapalhar o escoamento da ĂĄgua?
Além do grande volume de chuva ainda esperado, a mudança de direção dos ventos é outro fator que pode contribuir para as inundaçÔes.
âĄïžO vento ajuda a escoar a ĂĄgua que estĂĄ acumulada. AtĂ© quarta, o vento estava a favor do sentido dos rios, o que ajuda a acelerar o processo. Mas, a partir desta quinta, ele passa a soprar na direção contrĂĄria ao escoamento.
Fåbio destaca que essa alteração dos ventos deve refletir principalmente no sul do estado, na altura de Rio Grande.
“Essa regiĂŁo Ă© fundamental para o escoamento da Lagoa dos Patos, interligada com o GuaĂba. A preocupação Ă© que, com os ventos se direcionando contra o sentido do escoamento, se agrave o alagamento da regiĂŁo”, analisa o meteorologista.
đO Rio Grande do Sul jĂĄ contabiliza mais de 100 mortos e 130 desaparecidos por conta das chuvas. HĂĄ 230,4 mil pessoas fora de casa. Desse total, sĂŁo 67,4 mil em abrigos e 163,7 mil desalojados (pessoas que estĂŁo nas casas de familiares ou amigos).
Enchentes podem piorar
Com o nĂvel dos rios e de todas as bacias da regiĂŁo jĂĄ muito elevado, a tendĂȘncia Ă© que a situação piore nos prĂłximos dias.
De acordo com o MetSul, a quantidade de ĂĄgua que estĂĄ percorrendo os 300 quilĂŽmetros de distĂąncia entre o GuaĂba e a parte sul da Lagoa dos Patos ainda Ă© muito grande, com os rios registrando vazĂŁo recorde.
Cidades como Pelotas e Rio Grande podem registrar cheias histĂłricas. Rodovias da regiĂŁo devem ser afetadas, com bloqueios totais ou parciais.
Bloqueio atmosférico e as chuvas no RS
O bloqueio atmosfĂ©rico Ă© essencial para manter as chuvas no Rio Grande do Sul. Localizado na regiĂŁo do Centro-Sul do paĂs, ele impede que as frentes frias avancem, concentrando as instabilidades no extremo Sul.
đDe acordo com a Climatempo, alguns fatores contribuem para que o bloqueio se estenda por semanas e a chuvas localizadas continuem:
- Ăguas mais aquecidas na faixa tropical do Oceano AtlĂąntico, o que faz com que a alta pressĂŁo do bloqueio se mantenha com mais facilidade;
- Ărea de baixa pressĂŁo atmosfĂ©rica entre a Argentina e o Paraguai, que estimula a formação de nuvens carregadas;
- Fortes correntes de ar que impedem que o frio avance pelo Brasil e esfrie a atmosfera.
Para quebrar essa combinação de eventos, especialmente o bloqueio, FĂĄbio Luengo explica que Ă© necessĂĄrio a atuação frentes frias mais intensas e em sequĂȘncia.
Além da frente fria que jå estå atuando no Rio Grande do Sul, outra massa de ar frio deve avançar ao longo dos próximos dias, contribuindo para o fim do bloqueio.
“O bloqueio deve enfraquecer por volta do dia 15, por conta de frentes frias mais fortes do que essa que estamos observando neste semana”, comenta.

