Conheça os riscos da aranha-violinista após morte de jovem de 23 anos picado pela espécie

GĂȘnero de aranhas Loxosceles Ă© considerado um dos trĂȘs de importĂąncia em saĂșde pĂșblica no Brasil pelo MinistĂ©rio da SaĂșde

Por O Globo 19/08/2024

Um jovem de 23 anos morreu no Ășltimo sĂĄbado apĂłs ser picado por uma aranha-violinista (Loxosceles reclusa) na ItĂĄlia. De acordo com a agĂȘncia de notĂ­cias Ansa, este Ă© o segundo incidente fatal desta natureza que acontece no paĂ­s sĂł neste verĂŁo italiano.

Giuseppe Russo morreu de madrugada no hospital de Bari, regiĂŁo de ApĂșlia, ao sul do paĂ­s, devido a um choque sĂ©ptico e a falĂȘncia geral dos ĂłrgĂŁos vitais. A morte ocorreu mais de um mĂȘs depois de ele ter sido picado na perna, enquanto trabalhava no campo.

Conheça os riscos da aranha-violinista após morte de jovem de 23 anos picado pela espécie

Mais conhecida como aranha-violinista, espĂ©cie Loxosceles reclusa Ă© venenosa. — Foto: Centro de Informação e AssistĂȘncia ToxicolĂłgica de Santa Catarina (CIATox/SC)

Em julho, um policial siciliano de 52 anos, chamado Franco Aiello, também não resistiu à picada de uma aranha da mesma espécie.

O que Ă© a aranha-violinista?

De tamanho pequeno, chegando a atĂ© 7,5 mm, o nome do aracnĂ­deo deriva de uma mancha em forma de violino em seu corpo. A espĂ©cie prefere terrenos ĂĄridos, fendas e Ă© frequentemente encontrada perto de residĂȘncias, em especial os jardins.

A Loxosceles reclusa é encontrada em diversos países, como os mediterrùneos, na Ásia e na América do Norte, de acordo com o catålogo mundial de aranhas administrado pelo Museu de História Natural de Berna.

Tem aranha-violinista no Brasil?

No Brasil, de um modo geral, hĂĄ diversas espĂ©cies de aranhas do gĂȘnero Loxosceles, que sĂŁo conhecidas como aranha-marrom, aranha-violino ou aranha-violinista. O gĂȘnero Ă© classificado pelo MinistĂ©rio da SaĂșde como um dos trĂȘs considerados de importĂąncia em saĂșde pĂșblica, junto com os Phoneutria e Latrodectus.

De acordo com informaçÔes da pasta, as aranhas do gĂȘnero Loxosceles nĂŁo sĂŁo agressivas, elas picam geralmente quando comprimidas contra o corpo.

“Elas possuem hĂĄbitos noturnos, constroem teias irregulares, como “algodĂŁo esfiapado”. Escondem-se em telhas, tijolos, madeiras, atrĂĄs ou embaixo de mĂłveis, quadros, rodapĂ©s, caixas ou objetos armazenados em depĂłsitos, garagens, porĂ”es, e outros ambientes com pouca iluminação e movimentação”, explica o ministĂ©rio.

Em relação a acidentes com as aranhas Loxosceles no Brasil, eles ocorrem com maior frequĂȘncia nos meses de outubro a março, com sazonalidade semelhante Ă  dos acidentes ofĂ­dicos (por serpentes) e escorpiĂŽnicos (por escorpiĂ”es).

A pasta diz ainda que a região Sul é responsåvel por cerca de 80% das notificaçÔes de acidentes loxoscélicos no Brasil. Segundo dados do DATASUS, foram registrados 8.748 acidentes causados por aranhas Loxosceles no país em 2023, 6.460 deles nos estados do Sul.

O minsitério explica que, de um modo geral, a grande maioria das aranhas possuem glùndula de veneno e causam envenenamento. Apenas duas famílias, Uloboridae e Holoarchaeidae, não possuem as glùndulas.

No caso de um acidente, a pasta orienta lavar o local da picada, usar compressas mornas para auxiliar no alĂ­vio da dor e procurar o serviço mĂ©dico mais prĂłximo. Se possĂ­vel, recomenda “levar a aranha para identificação, ou uma fotografia nĂ­tida, caso a captura deste nĂŁo represente risco de novo acidente”.

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