O Dia Nacional de Combate Ă Intolerância Religiosa Ă© celebrado nesta terça-feira (21/1), em homenagem Ă Ialorixá MĂŁe Gilda de Ogum — como era conhecida a religiosa e ativista social Gildásia dos Santos e Santos. A data foi instituĂda pela Lei 11.635/2007.

Segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), o direito Ă liberdade de crença Ă© uma garantia constitucional que ainda enfrenta desafios – (crĂ©dito: Tomaz Silva/AgĂŞncia Brasil)
Considerada um sĂmbolo de luta contra a intolerância religiosa, Gilda, a famĂlia e o terreiro que ela fundou no bairro de ItapoĂŁ, em Salvador, foram alvos de vandalismo e violĂŞncia, que a levaram a morrer de infarto em 21 de janeiro de 2000. Sete anos depois, foi editada a lei federal que incluiu a data no Calendário CĂvico da UniĂŁo.
Segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), o direito Ă liberdade de crença Ă© uma garantia constitucional que ainda enfrenta desafios. O artigo 3Âş da Constituição prevĂŞ a promoção do bem de todos, sem preconceitos ou discriminação de qualquer natureza. Já o inciso VI do artigo 5Âş torna inviolável a liberdade de consciĂŞncia e de crença, assim como o livre exercĂcio religioso e a proteção dos locais de culto e de liturgias.
Para a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, 21 de janeiro Ă© um dia para reafirmar o compromisso com o respeito e com a liberdade religiosa. “Trabalhamos por uma polĂtica de Estado onde a liberdade religiosa seja uma realidade para todos. Um paĂs onde cada crença seja respeitada e cada cidadĂŁo possa viver com dignidade, segurança, sem medo de celebrar a sua fĂ©”, disse.
Segundo a ministra, o Ministério da Igualdade Racial investiu mais de 114 milhões para combater o racismo religioso, garantir direitos e valorizar a cultura e memória das comunidades tradicionais de matriz africana e povos de terreiro.
O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro LuĂs Roberto Barroso, defendeu que a intolerância religiosa nĂŁo Ă© caracterĂstica do povo brasileiro. “Nunca foi e nĂŁo pode passar a ser”, afirmou.
No Instagram, a TV Senado publicou o nono episĂłdio da documental Libertárixs, que celebra o legado da população negra no Brasil, conectando histĂłrias do passado e do presente. O capĂtulo aborda a histĂłria de Marcelina Obatossi, ialorixá da Casa Branca, o primeiro terreiro de CandomblĂ© de Salvador.

