InteligĂȘncia artificial: tecnologia demanda geração colossal de energia elĂ©trica; entenda

A AgĂȘncia Internacional de Energia estima que os data centers consumiam entre 1% e 1,3% da energia do planeta em 2022 e que atĂ© 2026 esse consumo vai dobrar.

Por Jornal Nacional 24/01/2025

O anĂșncio do presidente americano de um investimento de US$ 500 bilhĂ”es no desenvolvimento de inteligĂȘncia artificial deixou de lado um desafio enorme que essa tecnologia impĂ”e: a necessidade de uma geração colossal de energia elĂ©trica.

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InteligĂȘncia artificial: tecnologia demanda geração colossal de energia elĂ©trica/Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Possivelmente vocĂȘ usou hoje o seu navegador de internet para pesquisar alguma coisa. E aĂ­, quando vocĂȘ apertou o “enter”, consumiu energia suficiente para manter uma lĂąmpada acesa por 17 segundos. Isso porque, para responder a sua pergunta, as empresas mantĂȘm computadores que nunca desligam. MilhĂ”es de mĂĄquinas espalhadas ao redor do planeta, armazenando e processando informaçÔes – e consumindo energia. Muita energia em pequenos, mĂ©dios ou gigantes data centers como um em Barueri, na Grande SĂŁo Paulo.

Tiago Eltz, repórter: Fabio, quando a gente fala em consumo de energia, o que a gente estå vendo aqui na nossa frente?
Fåbio Yanaguita, diretor de energia da Scala Data Centers: Tiago, se a gente pegar esses prédios todos aqui nesse campus inteiro, a gente estå falando de um consumo aproximadamente da Zona Metropolitana de Brasília.

Te impressionou? Calma, nesses prĂ©dios quase nĂŁo hĂĄ clientes processando inteligĂȘncia artificial. E a explosĂŁo da inteligĂȘncia artificial Ă© alimentada com muita energia.

“O treinamento de um modelo de inteligĂȘncia artificial costuma levar bastante tempo e consumir muita energia, um grande esforço computacional. EntĂŁo, Ă s vezes, treinamentos de modelos podem levar de trĂȘs a cinco meses e consumir um gasto de energia comparĂĄvel a uma cidade pequena ou mĂ©dio porte por cerca de um ano”, afirma Denis Bruno VirĂ­ssimo, gerente de inteligĂȘncia artificial do IPT.

A AgĂȘncia Internacional de Energia estima que os data centers consumiam entre 1% e 1,3% da energia do planeta em 2022 e que atĂ© 2026 esse consumo vai dobrar. Em 2023, os data centers respondiam pelo consumo de 4,4% da energia dos Estados Unidos. A estimativa Ă© que esse nĂșmero possa triplicar atĂ© 2028.

A empresa que mantém os data centers em Barueri jå começou um projeto de IA no Rio Grande do Sul.

FĂĄbio Yanaguita: É uma cidade de data center dedicada para processamento de inteligĂȘncia artificial. E aĂ­ a gente estĂĄ falando em uma magnitude dez vezes maior do que a gente estĂĄ vendo aqui.
RepĂłrter: EntĂŁo lĂĄ posso presumir que vai consumir dez vezes mais energia do que BrasĂ­lia, se aqui consome BrasĂ­lia…
FĂĄbio Yanaguita: É praticamente vocĂȘ pegar o estado do Rio de Janeiro inteiro e colocar lĂĄ dentro em termos de consumo de energia.

É quase certo que o seu celular jĂĄ esquentou na sua mĂŁo de tanto vocĂȘ usar ou ainda o seu notebook, laptop. Agora imagina esses supercomputadores, ou melhor, centenas de supercomputadores na mesma sala ligados 24 horas por dia sem nunca poder ser desligados. Eles precisam de um sistema de refrigeração muito forte e muito grande. VocĂȘ deve imaginar tambĂ©m que um sistema de refrigeração grande precisa de muita energia. Manter os computadores ligados consome 75% da energia; 25% sĂŁo para impedir que eles derretam.

Além de energia, o resfriamento ainda consome ågua. Para cada 50 perguntas que a IA responde, é preciso meio litro de ågua para manter a temperatura dos equipamentos.

A adoção da IA pela população segue em um ritmo muito mais råpido do que aconteceu com os computadores ou a internet. E é nessa velocidade também que o mundo precisa se preparar para esse crescimento.

O Brasil tem uma matriz energética limpa e renovåvel. Mas, em outros países, a energia para IA vem de combustíveis fósseis.

“É importante vocĂȘ verificar como que vocĂȘ garante o desenvolvimento sustentĂĄvel da inteligĂȘncia artificial sem gerar impactos maiores no meio ambiente. A gente tem muita gente pesquisando quais sĂŁo as melhores viabilidades tanto em termos energĂ©ticos. SĂŁo projetos de pesquisa que ainda estĂŁo em desenvolvimento e, com certeza, eu acredito que a gente vai ter essas respostas em breve, esses caminhos mais adequados para seguir nesse desenvolvimento sustentĂĄvel”, diz Denis Bruno VirĂ­ssimo, gerente de inteligĂȘncia artificial do IPT.

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