Ministério Público de Rondônia identifica organização criminosa com ramificação no Acre

Bando é formado por policiais militares, bombeiros e servidores públicos civis com atuação em seis estados do país

Uma organização criminosa que envolve policiais militares, funcionários públicos civis e outras pessoas foi desarticulada, nesta sexta-feira (7), em Rondônia, pelo Ministério Público do Estado de Rondônia (MPRO). Nove servidores públicos, incluindo PMs e bombeiros, foram presos.

A quadrilha de Rondônia tinha ramificações no Acre e em pelo menos mais quatro estados da Federação – Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo, para os quais foram emitidos mandados de busca e apreensão.

As diligências estão sendo realizadas em seis estados diferentes, mais precisamente em Porto Velho/RO, Distrito de Três Coqueiros/RO, São Paulo/SP, Goiânia/GO, Cuiabá/MT, Diamantino/MT, Chapadão do Sul/MS e Rio Branco/AC.

Forças de segurança em operação conjunta para desarticular organização criminosa envolvida em agiotagem e extorsão/Foto: Reprodução/Ilustrativa

A operação envolve mais de 200 pessoas, entre promotores de Justiça, delegados de Polícia, agentes e escrivães da Polícia Civil, oficiais e policiais da Polícia Militar, peritos criminais, servidores da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental do Estado de Rondônia (Sedam), pilotos e tripulantes da Gerência de Aviação de Estado e servidores do quadro administrativo do MPRO.

A operação é executada pelo MPRO, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

A operação foi batizada de “Soldados da Usura”, como é juridicamente chamado o crime de agiotagem. A organização criminosa foi constituída com o objetivo de obter vantagens financeiras a partir da realização de empréstimos ilegais (usura) e que praticou, no mesmo contexto, os crimes de extorsão, lavagem de dinheiro, estelionato, falsidades ideológicas, dentre outros em apuração.

Agentes cumprem mandados judiciais durante ação contra grupo criminoso com atuação em seis estados/Foto: Reprodução/Ilustrativa

A fase ostensiva da operação tem como objetivo dar cumprimento a nove mandados de prisão preventiva, 42 mandados de busca e apreensão, além de diversas medidas assecuratórias patrimoniais (indisponibilidade de valores, imóveis, cotas sociais de empresas, veículos de luxo, dentre outros), que totalizam R$ 73.655.246,00, deferidas pelo Poder Judiciário da Comarca de Porto Velho.

A operação é realizada pelo MP em atuação conjunta com a Polícia Militar de Rondônia (PMRO) e com apoio da Polícia Civil (PCRO), Polícia Técnico-Científica (Politec), Secretaria do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), Gerência de Aviação de Estado (Gave/Sesdec), Ministérios Públicos do Mato Grosso (MPMT), Mato Grosso do Sul (MPMS), Acre (MPAC) e Polícias Civis de São Paulo (PCSP) e Goiás (PCGO).

O Procedimento Investigatório Criminal teve início no Ministério Público a partir da comunicação da Corregedoria-Geral da Polícia Militar de Rondônia, que encaminhou cópias de sindicâncias instauradas contra policiais militares, contendo indícios de crimes de usura e extorsão.

Com o aprofundamento das investigações, identificou-se uma Orcrim constituída por uma rede de pessoas que tinham as funções de captar “clientes”, fazer empréstimos com juros ilegais, fazer as cobranças com o uso de violência e grave ameaça (inclusive com uso de armas de fogo), seguidos de atos de expropriação patrimonial, já que, em relação a diversas vítimas, os investigados se apossaram de valores e bens que lhes pertenciam, acumulando e movimentando expressivas cifras em dinheiro e bens móveis e imóveis.

Na sequência, os investigados praticavam diversas condutas visando ocultar e dissimular a origem, disposição e localização de bens e valores, movimentando todo o patrimônio ilicitamente angariado em nome de empresas “fantasmas” constituídas em nome de “laranjas”, com documentos ideologicamente falsos, convertendo, também, ativos ilícitos em lícitos, com relevantes investimentos na compra de veículos, imóveis e até na construção de uma draga de extração de ouro no Rio Madeira.

O nome atribuído à operação é referência ao modus operandi adotado pelos investigados, que empregavam força, ameaças com armas de fogo, violência física, comportando-se como uma legião de saqueadores, explorando e expropriando as vítimas para obter e acumular muita riqueza às custas do patrimônio alheio.

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