No Acre, jovem com leucemia precisa de medicação de R$ 20 mil e busca doador de medula

A adolescente passou por mais uma internação neste domingo (16)

A família de Kailliny Cauana de Castro, de 16 anos, enfrenta uma corrida contra o tempo para encontrar um doador de medula óssea compatível com a adolescente. Em outubro de 2024, após uma internação para investigar episódios recorrentes de anemia e febre, ela foi diagnosticada com leucemia linfoblástica aguda B.

Kailliny Cauana de Castro precisa de transplante de medula/Foto: Reprodução

A mãe da jovem, Queiliane da Silva Cruz Castro, de 35 anos, conta que, antes do diagnóstico da filha, não tinha conhecimento sobre o processo de doação de medula óssea. Agora, além de buscar um doador, também luta para conscientizar outras pessoas sobre a importância do cadastro no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome).

“As pessoas não entendem muito como é o transplante de medula. Muita gente vem falar comigo para saber se é compatível. Eu sou doadora de medula agora também, só que não fui compatível com ela. As pessoas pensam que é só chegar lá e doar para ela. Não é assim. É um banco, os nossos dados vão para lá, e, se for compatível com alguém, eles entram em contato”, explicou Queiliane ao g1 Acre.

Os primeiros a serem testados foram os familiares mais próximos, incluindo os irmãos de Kailliny, um de 19 anos e outro de apenas três, mas nenhum deles era compatível. Sem sucesso na busca dentro da família, a adolescente foi incluída no banco de dados do Redome, onde aguarda a chance de encontrar um doador compatível.

A batalha da família começou em junho de 2023, quando Kailliny passou a sentir dores de cabeça intensas. Como nunca havia apresentado problemas de saúde, sua mãe a levou diversas vezes à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Cidade do Povo, em Rio Branco. Porém, segundo Queiliane, os atendimentos se limitavam à administração de soro, sem a realização de exames mais detalhados.

“Levei ela 12 vezes. Na segunda vez que levei, o médico disse que era por conta da fumaça. Eu citei sobre a fraqueza que ela sentia e que não estava se alimentando, e ele disse que era porque não estava comendo, mas não passou nenhum exame”, relatou ao g1 Acre.

Os familiares não tem medula óssea compatível/Foto: Reprodução

O quadro da adolescente piorou quando sintomas como febre, dores no corpo e palidez se tornaram mais evidentes. Preocupada, a família a levou a um posto de saúde, onde finalmente foram solicitados exames mais detalhados. Durante a investigação, a anemia severa foi identificada, o que levou à sua internação. Em um exame mais aprofundado na Fundação Hospitalar do Acre, a leucemia foi confirmada.

A primeira tentativa de tratamento com quimioterapia não teve sucesso. Já a segunda sessão apresentou bons resultados, e a doença entrou em remissão, condição necessária para o transplante de medula. No entanto, na última quinta-feira (13), uma nova biópsia indicou a volta da leucemia.

Segundo relatório médico assinado pelo hematologista André David Marques Alexandre, do Hospital do Câncer, Kailliny passou por todas as quimioterapias disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), mas sem obter sucesso. Agora, o especialista recomenda o uso do medicamento Blinatumomabe, que não é disponibilizado pelo SUS e tem um custo que varia entre R$ 18 mil e R$ 20 mil, valor que a família não tem condições de pagar.

“A leucemia voltou e está em 17%. O médico disse que eu ia precisar entrar na Justiça pra ela ter acesso a um medicamento que ela precisa agora. Ele me deu um papel para ir ao Ministério Público e tentar conseguir esse medicamento”, relatou a mãe ao g1 Acre.

A adolescente passou por mais uma internação neste domingo (16)/Foto: Reprodução

Outra possibilidade discutida pelos médicos seria a transferência da adolescente para um hospital em outro estado para um tratamento mais avançado, que pode custar cerca de R$ 1 milhão. No entanto, para acionar a Justiça e tentar garantir que o Estado cubra os custos, a família precisará contratar um advogado particular, algo que, até o momento, ainda não foi possível.

“Ainda não sei qual o valor do advogado, porque o procedimento ele vai entrar na Justiça para o Estado pagar. Aí eu vou ter que pagar para ele dar essa entrada”, explicou Queiliane.

Agora, além da busca por um doador, a família precisa de auxílio jurídico para garantir que Kailliny tenha acesso ao tratamento necessário. Quem puder ajudar pode entrar em contato pelo telefone (68) 99218-6808.

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