A Universidade Federal do Acre é berço de muitas pesquisas com potencial para mudar vidas, uma delas é a do doutorando Matheus Matos do Nascimento, que faz parte do Programa de Pós-Graduação em Produção Vegetal da Universidade Federal do Acre (Ufac).

Matheus Matos junto de sua orientadora durante apresentação da conclusão de seu doutorado/Foto: Cedida
Em conjunto com sua orientadora, a professora Dra. Almecina Balbino Ferreira, Nascimento desenvolveu seus estudos focado nas Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) amazônicas.
A pesquisa foi realizada durante um doutorado sanduíche, em conjunto com o Instituto Politécnico de Bragança (IPB), onde foi co-orientado pela Dra.Joana Amaral.
Os estudos de Nascimento apontam que o espinafre da Amazônia (Alternanthera sessilis) pode ser uma opção no tratamento contra o câncer gástrico.
“Nós já tínhamos algumas informações sobre ele, sobre, nós sabíamos do seu potencial para cultivo, seu potencial para consumo, seu elevado teor de proteínas por volta dos 25% a 28% de proteína em sua composição, mas a descoberta desses efeitos bioativos foi uma surpresa, porque nós não esperávamos ter esse resultado”, conta o pesquisador.
O agora doutor revela ainda o motivo para terem escolhido esta espécie em específico para a pesquisa.
“Primeiro por conta da sua relevância no contexto local, por conter esse elevado teor de proteína é uma espécie com potencial para ser explorada e para ser consumida. É uma fonte alternativa de alimentação e também por ela ser tipicamente amazônica, trazer e poder esses benefícios para a população”, ressaltou.

Os resultados benéficos no tratamento contra o câncer gástrico foram surpreendentes/Foto: Cedida
Sobre o andamento da pesquisa, ele afirma que os testes in vitro foram realizados, mas que ainda existe um longo caminho para que testes em seres vivos, e posteriormente em humanos, sejam realizados, para que a pesquisa continue sendo desenvolvida.
“Nós descobrimos esse potencial do efeito dos extratos para células de câncer gástrico. É uma surpresa para a gente saber que essa espécie tem esse potencial, que pode ser uma alternativa no futuro para esse tipo de doença. Os testes foram feitos apenas in vitro. O ideal é que nós continuemos trabalhando com essa espécie para fazer testes em vivo, para realmente nós confirmarmos e afirmarmos com 100% de certeza que ele é eficiente, que é uma espécie potencial, que pode combater esse tipo de câncer”, destacou.
A professora Dra. Almecina Balbino Ferreira, que acompanhou Nascimento durante suas pesquisas ainda no estado do Acre, fala sobre o orgulho de ver os resultados do pupilo, assim como o possível impacto para a medicina.
“Como orientadora de Matheus Matos, sinto-me com o dever cumprido em contribuir para a sociedade e o meio científico, ao inserir no cenário atual um profissional de alto nível, com experiência tanto no Brasil quanto na Europa. Além disso, é uma grande satisfação trazer, de forma inédita, pesquisas sobre espécies de PANC amazônicas”, contou a professora.
“Ela pode ser fundamental na proteção das células sadias do corpo, altos teores de proteína vegetal, essenciais para a construção de músculos, ossos, pele e regulação de funções vitais, e um efeito positivo in vitro contra o câncer gástrico. Esses resultados ressaltam o imenso potencial dessas plantas tanto para a alimentação quanto para possíveis aplicações clínicas”, encerrou ela.
