A faculdade Santa Marcelina, localizada na Zona Leste de São Paulo, anunciou a interdição da atlética de Medicina “até segunda ordem” após membros do grupo exibirem uma faixa com a frase “entra porra, escorre sangue”, em alusão ao crime de estupro, durante um jogo universitário. Os estudantes foram fotografados no evento esportivo, voltado aos calouros do curso, no último sábado. Além da medida, a instituição também identificou todos os envolvidos no caso e enviou seus dados à polícia.

Calouros da Atlética de medicina da Faculdade Santa Marcelina posam com faixa que faz apologia ao estupro — Foto: Reprodução
“Comunicamos que as medidas adotadas sobre o caso relacionado à bandeira usada pela Atlética de Medicina no dia 15/03, até o momento, são: Instauração de sindicância; Comunicação dos fatos ao Ministério Público; Identificação dos alunos à Polícia Civil do Estado de São Paulo, em atendimento à Delegacia da Mulher; Interdição da Atlética até 2ª ordem; Respostas às ouvidorias”, comunicou a instituição em sua conta no Instagram nesta sexta-feira.
Ao menos 24 estudantes de Medicina da Santa Marcelina são investigados numa sindicância aberta pela própria universidade. A imagem gerou repercussão nos grupos internos da faculdade, e notas de repúdio da direção da universidade e de outras instituições.
Ainda na noite de sábado, o presidente da Atlética divulgou um pedido de desculpas, alegando que não havia lido o conteúdo da faixa antes de posar para a foto. Posteriormente, a Atlética atribuiu a confecção da faixa aos calouros, e comunicou que o presidente e vice-presidentes da gestão 2025 foram afastados.
A frase da faixa, segundo alunos, teria sido inspirada em uma letra de uma música, banida pela instituição em 2017. A letra fazia apologia à violência sexual e continha expressões explícitas de desrespeito, com versos como “entra porra e sai sangue” e referências à violência sexual contra mulheres. Após denúncia dos coletivos da faculdade, a música foi banida da instituição.
A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) protocolou uma denúncia no Ministério Público de São Paulo contra a atlética do curso.
Logo após a repercussão do caso nesta segunda-feira, a Santa Marcelina declarou que “se manifesta veementemente contrária ao ocorrido” e afirmou que os responsáveis seriam penalizados conforme a gravidade da infração. Mesmo que as punições pudessem incluir advertências, suspensão e até expulsão, a faculdade não mencionou nenhuma dessas ações até o momento.
