Casal e jovem no Acre contam como Ă© a jornada de estudos para se tornarem pastores: “Doação”

O grupo ingressou em um curso de Teologia para responderem ao "chamado"

Por Vitor Paiva, ContilNet 30/03/2025 Atualizado: hĂĄ 1 ano

As igrejas evangĂ©licas tiveram diversos sĂ­mbolos e lĂ­deres viralizando na internet com os “pastores mirins”, o que leva muitas pessoas a acreditarem que para ser, basta fazer, entretanto o caminho para se tornar pastor pode ser um pouco diferente deste.

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O grupo participa da mesma igreja e estĂĄ se formando junto no curso de Teologia/Foto: Cedida

Para entender melhor como funciona este processo, a equipe do ContilNet conversou com trĂȘs estudantes de Teologia, que frequentam a Igreja Presbiteriana Independente, na capital do estado do Acre, Rio Branco, e contam um pouco de como Ă© a preparação para se tornarem pastores um dia.

Jefferson Batista de Souza é um destes estudantes, que ao lado de sua esposa, Suzel Bezerra Chaves, estudam para um dia poderem exercer a função juntos. 

“NĂŁo Ă© da mesma forma em todas as igrejas, mas a denominação da qual fazemos parte tem a exigĂȘncia do estudo em teologia, inclusive a faculdade que fazemos (faculdade de teologia da Igreja Presbiteriana Independente) Ă© reconhecida pelo MEC, mas o estudo formal Ă© sĂł uma parte da exigĂȘncia, no nosso caso, a pessoa quando demonstra o interesse de fazer o curso, passa por um perĂ­odo de observação e apĂłs a formação para poder assumir alguma igreja a pessoa passa por uma espĂ©cie de entrevista com o presbitĂ©rio para saber se ela Ă© apta a assumir a função”.

Suzel Chaves reforça ainda que, antes de entrarem no curso superior, os interessados passam por um perĂ­odo de observação. “Ao despertar esse interesse por esse ministĂ©rio, a pessoa fica em observação por um ano mais ou menos, depois Ă© ingressa na faculdade, e para poder assumir o Pastoreio de alguma igreja a gente passa por uma espĂ©cie de sabatina, onde somos avaliados se estamos aptos ao pastoreio”, explica.

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AlĂ­cia Tais diz que o “chamado” acontece antes do começo do curso/Foto: Cedida

AlĂ­cia Tais, amiga do casal e que tambĂ©m faz parte do curso mesmo curso de Teologia, explica que apesar do estudo ser importante, em nem todas as igrejas ele Ă© necessĂĄrio, e algumas delas formam “em casa” os seus novos lĂ­deres.

“É necessĂĄrio que a pessoa curse os 3 anos de faculdade de teologia, e apĂłs isso, ainda passa por um processo de avaliação, para que a igreja receba alguĂ©m preparado. Mas existem outras denominaçÔes em que nĂŁo Ă© necessĂĄrio o curso de bacharelado em teologia, acaba havendo uma preparação e escolha prĂłpria da igreja”, explicou.

O grupo comenta que tudo começa com o que eles denominam de “O chamado”, o que normalmente acontece muito antes do processo para se tornar pastor em si. “Essa pessoa já apresenta características que demonstram habilidade de ‘pastoreio’, expressas no cuidado com os irmãos, no ensino, na capacidade de relacionamento e instrução. Muitas vezes já serve a comunidade com seus dons e talentos, e acabam por liderar a igreja de algum modo”, conta Alícia Tais.

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A imagem retrata o momento em que o grupo foi apresentado como seminaristas da igreja/Foto: Cedida

“Esse ministĂ©rio exige uma doação muito grande de vocĂȘ em prol de outra vida, e o sentimento de incapacidade sempre surge, mas Deus tem sustentado minha vida e me feito entender que Ă© atravĂ©s da minha incapacidade que sua GlĂłria Ă© revelada”, explica Suzel Chaves, 

Ela tem a oportunidade Ășnica de poder seguir o caminho dentro da igreja ao lado de seu esposo, e comenta sobre a oportunidade de se doar Ă  Igreja junto de seu parceiro de vida.

“Fazer isso com meu esposo tem sido muito bom, alĂ©m do apoio, os estudos tornam-se mais dinĂąmicos, a gente debate, conseguimos enxergar outras perspectivas juntos, no geral o impacto nesse processo foi positivo por saber que tenho com quem contar, que tenho alĂ©m de esposo um companheiro de ministĂ©rio, saber que esse Ă© nosso propĂłsito de vida juntos Ă© especial”, disse.

JĂĄ ele, diz que a presença feminina Ă© importante dentro da comunidade evangĂ©lica e que a visĂŁo dela Ă© importante para o estudo e evolução. “Algumas igreja nĂŁo reconhecem o pastoreio feminino, ao contrĂĄrio da nossa, e toda a vivĂȘncia dela como mulher traz uma visĂŁo que muitas vezes eu posso nĂŁo ter, e tambĂ©m eu quando a igreja somos enriquecidos com essa diversidade”.

Sobre a possibilidade de atuarem juntos Ă  frente de uma igreja, Jefferson Souza comenta que Ă© sim um caminho, jĂĄ que a atuação feminina faz parte da igreja que frequentam. “Existe sim essa possibilidade, inclusive a nossa igreja foi “plantada” por um casal de pastores, entĂŁo existe, e seria muito bom se fosse dessa forma porque podemos nos apoiar, ter do lado alguĂ©m que entende as mesmas dificuldades”, encerrou ele, reforçando que gostaria de atuar ao lado da esposa.

 

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